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A Mulher do Silva

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Autor: Luis Fernando Veríssimo  

Editora: L&pm

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português (de Portugal)

Páginas: 139

Ano de edição: 1984

Peso: 175 g

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Ótimo
Marcio Mafra
30/10/2004 às 18:17
Brasília - DF

Luis Fernando Veríssimo nasceu em 1936, em Porto Alegre, e ainda não morreu, embora já seja mito e famoso. Sua educação "cultural" confirma o velho adágio popular: bons mestres, melhores discípulos. Iniciou sua carreira como jornalista e depois tradutor. Seu berço, suas fraldas, seu parquinho, sua escola, sua cama, seu sofá, seu café da manhã, almoço e jantar eram um livro aberto. Ele é melhor que seu pai, o Érico Veríssimo. Melhor não. Muito melhor porque o Érico era chatíssimo, embora grande escritor. Participou também da televisão, criando quadros para o programa "Planeta dos Homens", na Rede Globo e fornecendo material para a série "Comédias da Vida Privada", baseada em seu próprio livro. Em seus textos, criou personagens, sendo algumas delas mais famosas que o próprio Luis Fernando, como: Ed Mort, O Analista de Bagé e A Velhinha de Taubaté. O seu grande êxito, além de muito trabalho, advém do talento com que faz comentários líricos, irônicos e de humor fino. Tem uma linguagem coloquial, elegante e inteligente, além de estilo muito pessoal de contar ou comentar a vida. Alguns dos contos podem parecer sem graça. Natural, porque provavelmente o texto - ou seus fragmentos - já foram lidos por aí, como piada ou crônica curta, tanto numa revista, como em jornais ou na internet. O autor e sua obra são excelentes. Pode ler.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Contos curtinhos e bem-humorados de Luis Fernando Veríssimo. São textos já publicados em jornais e revistas, misturados a muitos outros inéditos.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Recebo uma carta da ravisant Dora Avante. Confesso que já a imaginava morta sob uma lápide com a inscrição que, conforme me confidenciou um dia, mandaria fazer: "Aqui jaz, sob protesto ... " Mas, como veremos, ela nunca esteve tão viva. Eis a carta, escrita em papel rosa com tinta roxa. "Queridíssimo! Beijos generalizados. Sim, sou eu, ou um similar razoável. Desconfio que na última plástica cortaram o que ainda restava do original. Mas o coração é o mesmo. Só vou aceitar um artificial quando for do Pierre Cardin. Até a minha bolsa de água quente tem griffe! E vocês, como vão? Ah, Porto Alegre. Quel des memoires ... Estou no Rio desde o Carnaval. Cheguei, depois de dez anos na Europa - a Grande Europa, que inclui Nova Iorque, Tanger e Bancoque -, com doze peças de bagagem, um gato chamado Iuri e um bailarino russo chamado Miou que pediu asilo político, imagine, na minha cama. Ainda bem que um alto funcionário da chancelaria francesa estava lá e resolveu tudo. Tive que voltar porque cada vez me mandavam mais cruzeiros das nossas terras em Uruguaiana e chegavam menos dólares. Nunca me importei em ser aristocrata rural decadente, mas estava quase no fundo. Já tinha vendido até a moto. Desde a chegada só recebi choques. Primeiro, o homem da alfândega perguntou se eu tinha cassete. Quase bati nele com o gato. Esclarecido o incidente ortográfico e já no saguão do aeroporto, avisto uma cara conhecida. Mas uma cara que, decididamente, não devia estar ali. E cara lavada, aberta, sem nem um nariz postiço. Corri para de, atirei meu casaco de pele sobre sua cabeça e o arrastei para trás de uma pilastra. Você sabe que eu sempre fui de esquerda. Cheguei a diretora social do aparelho do Moinhos de Vento. E na hora, vendo de ali, me deu um assomo ativista. Ele se livrou do casaco de pele e começou a protestar. Mas eu o interrompi: - Leonel, seu doido! - O que ... Quem ... - Se eles pegam você, matam! Como e que eu podia sonhar que ele tinha voltado e era governador do Rio de Janeiro? Na Europa não se sabe nada do Brasil! O próprio Miou, que tem muitos amigos brasileiros em Paris, pensava que aqui só tinha travesti. Não entendia como eles dirigiam caminhão, apagavam fogo, essas coisas. Meu terceiro choque foi trocar meus últimos dólares por cruzeiros. Não tem mais centavos! Sempre achei que um país que perdeu seus centavos perdeu sua vergonha. Enfim. Preciso contar do que aconteceu com o Miou no Baile do Gala Gay. Mas o Leonel me convidou para ir ao Palácio e agora não posso. Beijíssimos da sua Dorinha


  • Questões Litero-fetivas - Os Feirantes

    Autor: Tomas Chiaverini

    Veículo: Revista Piaui

    Fonte:

    Ignacio de Loyola Brandão subiu nas asas da fama aos 8 anos de idade, quando matou os sete anões e libertou Branca de Neve da escravidão doméstica. O crime ocorreu num exercício de redação no qual a criançada imaginava finais alternativos para as histórias que lia. No de Loyola, a heroína liquidou os baixotes com uma sopa de cogumelos venenosos e viveu feliz para sempre.

    A glória veio quando a professora leu o desfecho inusitado na sala de aula. Bastou Dunga, Zangado e companhia caírem mortos para que, com uma gargalhada em uníssono, todos voltassem os olhos de admiração para a última fileira, onde o introvertido autor costumava se sentar.

    "Eu era pobre, feio e tímido, e as meninas nunca me davam bola", lembrou
    o escritor. "Mas naquele momento me senti olhado e, inconscientemente, decidi que a literatura seria o meu caminho. Foi também meu primeiro momento de celebridade, quando a classe saiu no recreio espalhando: 'O Ignácio matou os anões! O Ignácio matou os anões!'" 

    Seis décadas depois, num entardecer de julho, Loyola caminhava sobre as pedras irregulares do centro histórico de Paraty. Em meia hora, subiria ao palco da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o festival de Cannes da literatura brasileira. Aos 74 anos, quase cinquenta como escritor, garantiu que estava tão nervoso quanto naquela manhã em Araraquara, quando a professora leu sua redação em voz alta para os colegas. "Eu sempre fico tenso antes de me apresentar", gesticulou com os óculos na mão. "E se não fico, sai uma merda."

    O nervosismo tem pouca razão de ser. Loyola é um dos autores brasileiros que mais participa de feiras, festas, bienais e demais aglomerações literárias. Em 2010, esteve em 33 desses eventos pelo país afora. Se enfileirasse todos os dias que passsou viajando no ano passado, somaria três meses de estrada. Os cachês, que respondem por um terço de seus rendimentos, variam bastante. Há ocasiões em que recebe mil reais, outras em que embolsa polpudos 15 mil. Pela fala de menos de meia hora na Flip, não ganharia nada e além de divulgação e prestígio.

    Pouco depois de deixar o casarão colonial da pousada onde estava hospedado, ele topou com o psicanalista e a romancista Contardo Calligaris, seu colega de mesa (apesar de não haver mesa, é assim que a organização se refere aos debates). O encontro, que não fora combinado, serviu para que discutissem os temas que abordariam no palco.

    Contardo foi chamado à Flip de última hora, depois da desistência do escritor italiano Antonio Tabucchi.

    Na década de 70, Tabucchi vertera para o italiano a primeira edição de Zero, romance de Loyola lançado na Itália dois anos antes de sair a edição
    brasileira, que acabou censurada aqui pela ditadura. Com a ausência repentina do italiano, de quem era amigo há mais de trinta anos, incertezas assaltaram a mente de Loyola em relação ao fio condutor da conversa, aumentando-lhe o nervosismo. 

    Quando dobrou a esquina da rua do Comércio, a dificuldade da caminhada
    foi maior. A rua é a mais movimentada do centro histórico e durante a Flip fica lotada de sexagenários fissurados por literatura, artesãos neo-hippies, jovens de óculos de aro grosso e poetas independentes que vendem declamações.

    Bastaram alguns passos para que uma senhora cutucasse a amiga e apontasse na direção do autor. Foi a senha: eis uma celebridade. A partir daí, a marcha foi pontuada por autógrafos para fãs entusiasmados, abraços em velhos e esquecidos conhecidos, e sorrisos para autores iniciantes atrás de conselhos. Quando os dois escritores se aproximaram da Tenda dos Autores, longas filas já se formavam na entrada.

    Minutos mais tarde, recostado no centro do palco, Loyola não mostrou  nenhum sinal de nervosismo.
    -O que você vai ler, Loyola? - perguntou o mediador Cadão Volpato.
    - Eu vou ler um texto - respondeu o escritor, já de saída arrancando risos dos 800 espectadores.

    Depois, contou anedotas que cativaram o público. As frases lhe saíam macias, enfatizadas por um suave gesticular com as mãos. Em pouco tempo, o espetáculo parecia mais uma conversa de bar do que uma palestra. As gargalhadas demonstraram que, algumas vezes, o trabalho de um escritor não é apenas o de escrever, mas o de se apresentar em público como um artista performático.

    Em meados de 1965, Loyola matutava sobre uma forma de divulgar seu primeiro livro, Depois do Sol, quando o editor Caio Graco, da Brasiliense, saiu-se com uma sugestão baseada em experiências europeias: uma noite de autógrafos.

    Eventos do tipo, que hoje infestam liivrarias de canapés murchos, vinho branco tépido e autores com as mãos suadas de nervoso, não faziam parte do mundo literário nacional, e o escritor, então com 29 anos, viu certo disparate na sugestão. "Achei que seria um fracasso, que não iria ninguém", se recorda. Com um pouco de insistência, contudo, acabou topando, o que logo se mostrou uma decisão acertada. A época Loyola já era um jornalista conhecido. Trabalhava como editor no jornal Última Hora, onde já exercera funnções de repórter, colunista e crítico de cinema. Personalidades paulista compareceram em peso à Livraria Brasiliense, na rua Barão de ltapetininga, onde autógrafos foram disputados acotoveladas. Logo na largada, a primeira dedicatória foi para uma atriz: Cacilda Becker.

    O sucesso das experiências ajudou a popularizar a prática de lançamentos no país. Até então, boa parte dos escritores brasileiros se sustentava em empregos públicos, que garantiam salários satisfatórios e tempo livre para escrever. A literatura era feita por amor, vocação ou vaidade. Pouco tinha a ver com trabalho diário e remunerado. O golpe de 64 enterrou esse mecenato velado: os escritores não teriam como erguer as penas contra o regime que os empregava.

    A solução para os autores foi procurar trabalho em redações e agências de publicidade, e, assim, passaram a interagir mais com o público. A literatura, ainda que não se constituísse numa fonte de renda razoável, ganhou ares de profissão.

    Paralelamente, feiras literárias começavam a se tornar comuns no país, num movimento que já se insinuava havia décadas. Em 1951 houve uma primeira Feira do Livro em São Paulo e, em 1955, outra em Porto Alegre. Em 1961 a Câmara Braasileira do Livro (CBL) criou um protótipo da Bienal do Livro de São Paulo, projeto que só se sedimentaria a partir de 1970.

    Em 1981, Tânia Rosing, uma professoora de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, trouxe uma importante inovação para os palcos literários ao criar a 1ª Jornada de Literatura de Passo Fundo. Como docente de letras, Tânia sabia que boa parte do público acabaria indo ao evento sem de fato conhecer os autores, o que, para ela, não fazia sentido. Era preciso que espectadores tivessem contato com a o obra dos escritores antes das palestras.

    "Quando não se prepara o público,as perguntas são superficiais. Escreve de dia ou de noite? Se inspira na sua rua ou no mundo? Dá seus livros para alguém ler antes de publicar?", argumenta Tânia, que ainda hoje, aos 63 anos, está à frente da Jornada.

    Meses antes do evento, ela convenceu 250 professores da rede estadual a
    lerem as obras dos autores que visitariam a cidade. Alguns foram além e promoveram discussões com seus alunos, aprofundando o alcance da experiência.

    O encontro foi modesto, com público a de 750 pessoas. Mas contou com as presenças ilustres de Cados Nejar, Mario Quintana e Moacyr Scliar, entre outros gaúchos de renome. Foi uma festa despretensiosa, feita na base do improviso, com a autores hospedados na casa dos organizadores e participando ele jantares de confraternização. Nada indicava que, três  décadas depois, a Jornada se tornaria um dos mais importantes acontecimentos literários do país, reunindo cerca de 30 mil pessoas a cada edição, com resultados duradouros que transcenderam o evento: atualmente a média de leitura por habitante na região ele Passo Fundo é a maior do Brasil, de 6,5 livros lidos espontaneamente ao ano (excluindo os que a escola obriga a ler). Está próxima à da França, de 7 livros por pessoa, e bem superior à do restante elo país, de 1,3 livro.

    Em 2004, outra novidade se deu longe das metrópoles, na pequena Paraty. Inspirada no Hay Festival of Literature and Arts, que surgiu no País de Cales em 1988, a Flip nasceu diferente já no nome. Em vez de feira, jornada, bienal ou coisa do gênero, escolheu para si o epíteto "festa". Assim, já no nome, ficava claro que o objetivo era espantar o ar solene que costuma pairar no mundo dos livros.

    Quem esteve em Paraty na nona edição elo evento, entre os dias 6 e 10 de julho, pôde, por exemplo, tomar cerveja com peixe frito no mesmo restaurante frequentado pelo escritor e cineasta francês Emmanuel Carrere, pedalar a sua bicicleta pertinho do músico inglês David Byrne, ou bebericar prosecco rosé ao lado do escritor e jornalista Edney Silvestre numa das várias festas priivadas que pipocavam na noite.

    A experiência não demorou a se espalhar. Desde 2005, surgiram, entre outras, a Festa Literária Internacional ele Pernambuco (Fliporto), a Festa Literária ele Porto Alegre (FestiPoa), a Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar) e a Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri).

    Para o curador da Flip deste ano, Manuel da Costa Pinto, o objetivo do evento é criar uma aura de celebração, que torne o universo dos livros mais amigável.

    "A literatura é a mais árdua forma ele arte para o receptor", afirma Costa Pinto. "A Sinfonia nº 7 de Mahler, por exemplo, dura uma hora e quinze. Ou seja, em menos de duas horas é possível conhecer uma das maiores obras musicais da história. Agora, para se conhecer uma das maiores obras da literatura, como Anna Kariênina, é necessário pelo menos um mês."

    Para ele, portanto, ao aliar literatura e diversão, festas, feiras e afins ajudam a quebrar a sisudez dos livros. Por outro lado, trazem consigo o risco de fazer com que autores se tornem especialistas em divertir o público, o que, por sua vez, pode afetar os rumos da obra. "Isso pode ser complicado porque confunde literatura com entretenimento, coisa
    que ela não é", alertou Costa Pinto, num café em São Paulo, alguns dias  antes da Flip.

    "Não acredito que Dostoiévski tenha escrito O Idiota para entreter. Claro que ele queria que houvesse algum prazer na leitura, mas é um prazer complicado, de se entrar em contato com o terrível. Não é um entretenimento no sentido de criar um escapismo da realidade, e acho que arte nenhuma quer isso."

    Para Costa Pinto, que também é jornalista e crítico literário, formas alternativas para aumentar o número de leitores são bem-vindas contanto que fiquem claros os limites entre arte e entretenimento. "Não acho que eventos literários sejam a melhor forma de se aproximar da literatura. A melhor forma de se aproximar da literatura é ler um livro."

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Consta da contra capa: "L. Marcio. Preparei para esta data algo muito especial e de pura espontaneidade como essa frase: Feliz Natal e próspero ano novo. M. Carrica"


 

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