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Ensaio da Paixão

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Ensaio da Paixão

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Cristovão Tezza  

Editora: Criar

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 252

Ano de edição: 1986

Peso: 310 g

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Ótimo
Marcio Mafra
27/11/2009 às 15:04
Brasília - DF

Ensaio da Paixão, em 1982, ganhou o prêmio Cruz e Souza de literatura. O romance é ambientado em 1970, numa ilha do Sul do Brasil. O leitor é induzido a pensar tratar-se de uma das muitas praias desertas existentes na ilha de Santa Catarina. Um personagem travestido de profeta solitário, atrai muitas pessoas para montar uma Paixão de Cristo, numa semana santa, sem direção, sem script nem garantia de platéia. Na ilha vão chegando atores, vampiros, poetas, músicos, marginais, pais de família, um escritor de sucesso, um barco cheio de mulheres descomprometidas. Eles vão chegando com objetivo de aproveitar tudo de bom que a vida oferece numa ilha encantada. Os personagens como Miro, Pablo, Isaías, Toco e Rômulo são bem talhados para o cenário anárquico. Eles vivem um drama surreal que transforma o final da história em uma guerra promovida por militares sob o Comando do Capitão Moreira e o Cabo Souza que estavam em missão de acabar com a subversão, muito comum no início de 70, quando o Brasil estava sob a égide do AI-5. O final é muito bom.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia de Isaias, Pablo, Miro, Toco, Helen e mais um bando de outros loucos, numa ilha do sul do Brasil, onde começa o ensaio da peça teatral intitulada A Paixão de Cristo, que será encenada ao ar livre.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um teatro em que qualquer idiota vira ator. Nada de palco, nada de poltronas de veludo, nenhum texto escrito (consta que Isaías é analfabeto), nada de racionalismos: vivência pura, emoção visceral, inconsciente coletivo, arquétipos, coisa fina. Ai ai, suspiro. Tudo isto pra relatar no jornal do senhor Maués, o capacho simpático, todo poderoso chefe da redação. Eis um bom modo de enfrentar a angústia. Sentar sozinha nesta grama, fumar e pensar pensar pensar, que noite incrível, vendo esta casa incrível e convivendo com este povo incrível, dá de tudo aqui. Mais notícias: pintor abandona vernissages e mora numa caverna peleolítica com adolescente que fugiu de casa. Não, o Miro ainda não é notícia. Lamento muito, dona Miriam, mas essas matérias não servem, jornal não vive de poesia. Já cobriu a festa do Country? Mandei fotógrafo. Sou mulata, seu Maués, eles não deixam entrar, os filhos da puta. Que mania de perseguição, dona Miriam, que coisa. Pra página policial: Maconha corre solta na Ilha da Paixão! Solta, não: meia dúzia de maus elementos, liderados por Rômulo de Tal, dependente e traficante. Um baseado até que ia bem agora, puxadinha lenta, cara pra lua, gostosamente enterrada na grama. Consegui esquecer o meu escritor por algum tempo. Que maravilha, viajar de transatlântico, freqüentar Paris, bater papo com Cortazar. Neste momento, dona Hellen tira a calcinha, pentelhos penteados. Vai uma trepada, amor? Não, querida, estou exausto, o ensaio foi uma loucura. E a jornalistazinha, como vai, meu bem? Mais ou menos, darling, talvez dê um bom conto. Se for verdade, mato esse filho da puta. Ele tem mãos bem tratadas, de escritor, lisinhas nas minhas coxas, a barba mal feita espetando a barriga, ai! Homem é isso, o resto é adolescente. Aliás, ou sou muito difícil ou não sou sexy. Até agora, cantada só do Donetti. Deve estar sobrando mulher nessa ilha. Bem, se fosse pra eu escolher outro homem, morria sozinha. O Edgar é barrigudo, detesto homem barrigudo. Ingênuo demais pro meu gosto, mas simpático, agradável, bom músico. Tem mistério, largou família pra vir pra cá. O refúgio do artista incompreendido. Muito guri novo: Cisco, Toco, Murilo, Miro, Enéas, etcétera, etcétera. Todo mundo trocando as fraldas, não sabem nada de nada, perdidos num mundo vago. Tem quem goste. Não vou com os cornos do Cisco, fila muito cigarro, meio vaselina, emproado humilde, perna torta, mandãozinho, ferino, recalcado, dizem que comedor, o que não acredito. Raquel gamou, come um monte de merda por ele, é do gosto. Gurizada feliz, os nativos. Toco é muito alto, dou no umbigo dele. Me parece triste, formal, simpático, sério, perdido. Vou comprar uma caixa de etiquetas, sair por aí classificando o mundo. Por eu Donetti de repente ficou caseiro? No começo, cagou e andou pra esposa, largou no mundo, não estava nem aí. Agora, são unha e carne, ta certo que de mau humor, mas estão lá, dormindo juntos. Amor versus conveniência, a velha luta, batalha diária. Miriam língua de trapo, já me disseram. A noite cada vez mais escura, a lua vai-não-vai, brilha e some, o mundo gira no céu. Ah, uma boa manchete: o senhor Fontes paga promessa. O conhecido empresário do ramo imobiliário, Maurício Fontes, burro, babaca e rico, acompanhado da esposa, QI 3, dona Sueli, e do filho cartão-postal, de nome Jesus, em homenagem ao próprio...Tão bonitinho o garoto. O senhor Maurício é chegado numa galanteza, quando a digníssima está longe. Andou transando mulher, mijando fora do penico, é de se conferir. Um sapo posudo, tive que dar um chega-pra-lá, de reprente íntimo, mãos nos cabelos, fala macia, despejando besteira, dedinhos gordos no pescoço da gente, que filho da puta. O patriota paga promessa representando a Paixão. Já estou pensando em voz alta. Edgar toca piano na calada da noite. Vou lá. Não vou. Vou não vou. Ele e Maria se amando, que sorte a dela, já pegou o triângulo desfeito. Tão bom aqui no escuro, fumando, fumando. O Donetti bem que poderia vir tomar um ar aqui fora. Não tenho sono e amanhã tem ensaio, o Cisco com aquele sino enchendo o saco às seis horas. E o Barros? Ah, o Barros é a coisa mais esdrúxula e ridícula que já vi na minha vida. Não é gente, é um fígado estragado, o par ideal para Norma, a míope. Assumiu a de Judas, completamente maluco esse cara. Viverá de quê, o figurinha? Me disseram que é publicitário, seis meses promovendo eletrodomésticos e seis meses fazendo nada na ilha, destilando rancor. É bem capaz, mas não confessa, escondido atrás do terno, da gravata e da garrafa de pinga. Drummond: o homem atrás do bigode... Coitada da Norma, tão burrinha. Quem vem lá? Uma assombração? Um lampião? Um vagalume? Um palito de fósforo aceso? Não, é Moisés, o santo.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Cristóvão Tezza era um dos convidados da Flip 2009. Eu já conhecia o autor quando do livro O Filho Eterno e, pouco antes da Flip comprei diversos livros dele. O eu profundo e outros eus, era o nome da mesa de Mário Bellatin e Cristóvão Tezza que se apresentou na sexta-feira, dia 3 de julho. Professor de uma escola de escritores no México, Mario Bellatin admite tudo – menos que o candidato a ficcionista inspire-se na própria vida para criar sua história. Um dos mais premiados autores brasileiros dos últimos anos, Cristovão Tezza fez exatamente isso em seu Filho Eterno, e ninguém ousará dizer que não foi bem-sucedido. Qual, enfim, o papel da experiência pessoal na literatura? Eis o mote para a discussão entre os dois autores que não falaram nada de Ensaio da Paixão.


 

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