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Elza, A Garota

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Elza, A Garota

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Autor: Sérgio Rodrigues  

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 238

Ano de edição: 2009

Peso: 280 g

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Ótimo
Marcio Mafra
28/11/2009 às 15:56
Brasília - DF

Sérgio Rodrigues é jornalista daqueles que tem faro para as boas notícias, bons casos, bons mistérios e bons crimes. Jornalista competente sabe jogar com as emoções de leitores. Na Flip de 2009 se falou que ele escreveu "Elza, A Garota" para equilibrar a balança da covardia. Se a direita entregou Olga Benário para ser morta pelo regime de Hitler, a esquerda também cometeu uma inominável covardia estrangulando uma garota de 16 anos, pelo fato de suspeitarem que ela bateu com a língua nos dentes. O livro conta a história de Elza (um codinome de Elvira), caso amoroso de Miranda (um codinome de Bonfim, Secretario Geral do PCB) que foi morta pela alta cúpula do partido comunista, que a justiçou por enforcamento, devido as suspeitas de que Elza tenha fornecido - sob tortura ou coação - às autoridades policiais alguns endereços dos dirigentes partidários. Luiz Carlos Prestes também foi preso, mas antes de sua prisão, outros dirigentes do Partido Comunista foram sendo detidos e Elza foi a suspeita, mesmo sem nenhuma comprovação de que soubesse dos locais onde outros dirigentes estavam escondidos. O chefão do PCB, Luiz Carlos Prestes, exigiu o cumprimento da "pena", que foi então executada de forma bárbara, por estrangulamento com fio, tendo seu corpo sido partido e enterrado no quintal da casa onde estava. Tem razão o escritor Zuenir Ventura, quando disse que Elza é um livro indispensável para quem não conhece a tragédia da garota Elza e para quem conhecia de ouvir falar. Ótima leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Elza, jovem de 16 anos, comunista, caso amoroso do secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, Antônio Maciel Bonfim, que foi assassinada por companheiros do Partido Comunista, devido a simples suspeita de que teria "entregue" alguns endereços de dirigentes do Partido.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Quando Molina chegou ao botequim azulejado da Rua Alice, aquela noite, o Zé ainda se entretinha com seu primeiro chope. Sujeito magro, cara chupada, parecia mais grave que o normal. Tinha manifestado ao telefone reservas ao novo trabalho do amigo, fazendo perguntas previsíveis: Escrever sobre Elza Fernandes por que? A quem interessa contar essa história? Certamente estava pronto para aprofundar o assunto agora, pensou Molina, polir uma meia dúzia de chavões esquerdistas às suas custas, mas não lhe daria tempo. O motivo de ter procurado o Zé era outro. Assim que se viu diante de sua própria tulipa, sem preâmbulo, Molina disse: Você acredita que 0 Franco reencarnou? Apanhado de surpresa, o Zé pareceu atônito por uns instantes, mas logo ajeitou o corpo para rebater. Duas décadas de pingue-pongue tinham deixado os amigos bons nisso. Na pele de quem dessa vez? De um geniozinho. Não me diga! Guru de uma certa História Virtual. Que vem a ser ... Ate onde eu entendi, foi o Franco mesmo que inventou a coisa. Picaretagem, claro, mas tem muito historiador jovem, muito estudante de queixo caído em seus cursos. Fila de espera para matrícula e o escambau. A História Virtual sustenta que a verossimilhança, e não a verdade, é a prova dos nove dos relatos históricos. Quer dizer, o historiador não só pode como deve, precisa, tem que inventar, imaginar, preencher lacunas, assumir alegremente sua porção ficcionista. Só assim seu trabalho vai fazer sentido humano, em vez de ser um relatório frio sobre matérias mortas. Relatório frio sobre matérias mortas, disse o Zé, é uma boa descrição da vida sexual depois de quinze anos de casamento. Mas essa, aham, teoria não é nova, é? Já não diziam algo parecido em 68? E quando foi que o Franco fez alguma coisa nova, Zé? Só então ocorreu a Molina que havia uma espécie de justiça poética ou sentido metalingüístico naquela conversa de História Virtual. Quase tudo a respeito de Franco era inventado desde o início. Não pelo próprio Franco, o que o tornaria um farsante absoluto, mas por todos os que o cercavam - artistas e artistas do circuito alternativo carioca nos anos 80, quando ele construiu um prestígio fulgurante como escritor, poeta performático, animador de festas, agitador cultural, videomaker e sabe-se lá mais o que, sem que precisasse ser nada disso. Por que precisaria, se era o cara para quem as menininhas bem-nascidas faziam questão de dar quando queriam parecer descoladas? O conviva sem o qual nenhuma festa de respeito seria completa? Tudo isso teve o incentivo das lacunas providenciais que o próprio Franco espalhara em sua história, acabando por abranger a história quase inteira. Não era um farsante total, era um meio farsante. Poderia se defender perguntando quem não era. Tinha vindo de Marechal Hermes, isso se sabia - não fora capaz de apagar tão fundo. Mas apagara o suburbano de anedota que havia sido em seu primeiro mês de faculdade de Comunicação da UFRJ: encabulado, feio, camisa social de manga curta, sandálias de vovô. Virgem também, claro. Filho único de uma tristonha família de classe média baixa afundante, o pai um contínuo do Ministério da Fazenda cuja única atividade semelhante ao lazer era botar uma cadeira na calçada e passar os fins de semana tomando cerveja e lendo um faroeste de banca de jornal atrás do outro. Não surpreendia que a mãe, dona-de-casa, sofresse de depressão crônica.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Sérgio Rodrigues era convidado da Flip 2009 em Paraty. Ele estava na mesa com Tatiana Levy e Arnaldo Bloch, tratando da mesa "Verdades Inventadas". Elza, a Garota foi lançado pouco antes da Flip, por isso o comprei.


 

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