carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Os Dias da Crise

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Os Dias da Crise

Livro Bom - 1 comentário

  • Leram
    1
  • Vão ler
    0
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Jerônimo Teixeira  

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 125

Ano de edição: 2019

Peso: 195 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Bom
Marcio Mafra
08/08/2020 às 13:05
Brasília - DF
As manifestações sociais de 2013 serviram de “mote” ao livro “Os Dias da Crise”. Através do seu personagem principal, Alexandre, descasado, que levava vida independente, tanto com sua filha, como com seu irmão, além de constantes desentendimentos políticos e filosóficos com seu grupo de amigos, quase todos trabalhando na mesma empresa. Ele também manteve um caso amoroso com Helena, sem muito comprometimento. Alexandre tenta conviver com a derrocada de sua empresa, que também procura um novo produto para lançar no mercado consumidor, daí advindo as constantes irritações de uma época turbulenta econômica, social e política. O livro de Jerônimo Teixeira foi muitíssimo badalado pela mídia porque, na época, o autor era um importante executivo da Revista Veja, e como tal foi incensado pela maioria dos jornalistas da grande imprensa como Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, portanto tanto por seus pares como por seus concorrentes. O livro é mais ou menos bom, a narrativa tem qualidade e o final não é evidente. .

Marcio Mafra
08/08/2020 às 13:04
Brasília - DF
A história da maior crise brasileira em que as manifestações de rua, por vezes, superaram em muito o milhão de pessoas. Tudo começou com oposição ao acréscimo de R$ 0,20 ao preço de passagens de ônibus, no Rio de Janeiro. Por esta época muitas empresas entraram em crise financeira, vez que não conseguiam entender nem acompanhar a evolução da sociedade. Nesse ambiente de crise “Os Dias Da Crise” romanceia a atividade profissional de Alexandre, executivo de uma importante empresa, cuja posição econômica não era das melhores.
Marcio Mafra
08/08/2020 às 13:04
Brasília - DF
O Produto estava bem encaminhado: uma linha de produção seria montada na China. Mais barato fabricar lá, dizia Bollo. amparado nos números que Niquil, extrapolando suas funções de diretor de RH, apresentava no PowerPoint. Souza, que adquirira o desagradável hábito de visitar minha sala, me apresentava números mais simples e menos otimistas. Se o Produto fracassar, dizia, é o fim. Será a falência da empresa. E, se a empresa quebra, quem vai empregar gente da nossa idade? Novas dificuldades surgiam na vida de Souza justo naquele momento delicado. Ou, antes, reaparecia a dificuldade de sempre, com uma diferença significativa: o filho pedia, de novo, dinheiro para voltar para casa; dessa vez, porém, ele não só informava seu paradeiro - Belém do Pará -, como ainda solicitava ao pai que providenciasse a passagem aérea. Souza sentia-se ao mesmo tempo esperançoso e receoso: acreditava que retomaria o controle sobre o filho errático se ele voltasse para São Paulo, mas temia que fosse tudo um esquema fraudulento. E se Huguinho afinal não pegasse o avião? Se desse um jeito de mudar o destino para Rio Branco, Lima, La Paz, desaparecendo, como de costume, por mais alguns meses, anos, eternidades? Souza angustiava-se e, ainda comovido com a mão casual que pousei sobre seu ombro, compartilhava a angústia comigo, com inédita franqueza. (Conservava certas reservas: nada dizia sobre seitas, discos voadores, gurus da Nova Era, lavagem cerebral. Tudo o.que precisava ser dito era que o filho estava havia muito tempo longe - e que tinha um problema.) Souza não se interessava pela anunciada viagem de inspeção à fábrica chinesa. O escritório todo especulava sobre quem seria o escolhido para acompanhar Eollo e Niquil a Pequim, mas Souza não era ingênuo a ponto de adicionar essa ansiedade à sua bagagem já bem pesada de preocupações: não seria ele, é óbvio. Roberto Suarez despontava como o candidato natural, todo dia reunido a portas fechadas com Eollo. Verdade que essas reuniões nem sempre eram convocadas pela chefia: tipicamente, era Suarez quem, após alguns momentos de inspiração no banheiro, batia à porta do diretor. Não sei de onde viria esse estranho sobrenome espanhol (e sem acento no A): a despeito de certas predileções colombianas, Suarez passava longe do fenótipo hispano- merícano. Branco, pálido, tinha até sardas, que lhe davam um ar de inocência pueril contrastante com o modo agressivo como se portava no trabalho. Era mesmo jovem, o Suarez. Trinta e poucos anos. Jovem e, claro, arrojado. Não é o que se espera no nosso ramo? O executivo arrojado: a expressão é um clichê e um eufemismo. Eollo, no entanto, desejava o monopólio do arrojo. Em mais de uma ocasião, eu o vi interromper, impaciente, o que Suarez dizia: - Não, não é nada disso. E nem é hora de discutir esse assunto. Suarez conseguiu ainda a façanha de fazer Niquil erguer os olhos de sua planilha. Foi quando repetiu uma daquelas fórmulas que EoIlo imaginava ter inventado: - Para fazer a diferença, tem que fazer diferente. Niquil levantou a cabeçorra, ajustou os óculos e apertou um pouco os olhos, para melhor distinguir as feições infantis de Suarez. Constatava um erro nas suas minuciosas avaliações e tabulações: já se passou uma quinzena desde o anúncio dos cortes, e o bajulador que repete frases inanes do chefe continua aqui. Mas exagero! O olhar mortiço do diretor de Recursos Humanos não poderia expressar tanta coisa injusta, poderia? Suarez era, bem no fim das contas, um rapaz brilhante, um dos melhores de sua área. Colega leal, parceiro valoroso. Devo-lhe certa gratidão: ao tempo em que seu chefe imediato era Santini, ele me trazia informações preciosas (tanto mais preciosas por não serem verdadeiras) sobre meu rival. Sim, grande Suarez! Não sei por onde andará hoje, mas é certo que tem um belo futuro pela frente. Teria sido o homem certo para visitar, ao lado de Bollo. nossa linha de produção chinesa. Suarez até mereceria ser o primeiro a saber o que, afinal, fabricaríamos lá. Meu amigo Francisco tinha a sorte de conhecer bem seu produto. Com a vantagem adicional do produto ser à prova de obsolescência: quando chegar à idade adulta - ou já na adolescência, contra todas as leis que inutilmente buscam coibir o consumo de álcool nessa fase -, Zezinho. o neto do Souza que tão precocemente já domina o touch screen, beberá cerveja. Os bons números de venda regularmente obtidos por Francisco chamaram a atenção de seus superiores, que afinal descobriram as qualificações do meu amigo. Seguiram-se entrevistas, sondagens, avaliações e reavaliações, e então veio a oferta internacional: diretor de operações de uma cervejaria no Meio-Oeste americano. Uma área pequena, mas "estratégica", com "imenso potencial para crescimento", dizia Francisco (não era conversa vazia: menos de um ano depois, ele já era alçado a uma nova posição na Costa Oeste). - Quando você vai para os Estados Unidos? - perguntou Jorge. - Finzinho de maio. Eu não ia perder o teu casamento por nada. Foi na primeira reunião depois da retirada de Fábio que Francisco nos deu a notícia. Brindamos, brincamos, rimos. Esquecemos os exercícios de Teufelsdrõckh para dedicar a noite apenas à conversa. Fizemos piada sobre o grotão para onde Francisco estava indo: "Vai virar rednecki", O encontro foi na minha casa, e Francisco, talvez por deferência ao anfitrião, lá pelas tantas resolveu dividir as atenções que estava recebendo. Perguntou como iam as coisas no meu trabalho. - Bom, você vai pro Kansas e eu vou pra China - me vi respondendo. Surpresa geral. - China? Como assim? - Calma, amigos, não é em definitivo, só uma visita de inspeção à fábrica que vai fazer o novo Produto. Mais brindes, brincadeiras, piadas. Era uma mentirinha sem consequências, uma bravata até bem modesta, se é que bravatas podem ser modestas.

Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
08/08/2020 às 13:04
Brasília - DF
Em Agosto de 2019, a mídia especializada fez muita propaganda dos autores que participaram da FLIP 2019 que aconteceu em Paraty, Rio de Janeiro, entre 10 e 14 de julho. Era o PÓS FLIP, um movimento patrocinado pelos editores que precisavam vender os livros dos autores “convidados da Flip”. A conhecida Festa Literária Internacional de Paraty que acontece desde 2003, no ano de 2019 não teve o sucesso financeiro desejado. Era o primeiro ano do governo Bolsonaro, quando o Ministério da Cultura foi extinto logo no início do governo e recriado pouco depois, tendo sido cortadas grande parte das verbas destinadas no orçamento da União para a cultura. Também a economia em 2019 ainda capengava da recessão porque o país tinha recuperado apenas 30% do que fora perdido na crise política de 2016/2018. A crise fora provocada pelo impeachment da Presidente Dilma Roosevelt e do governo tampão Michel Temer. Então o PÓS EVENTO fez as editoras publicarem ou republicar: (1) Welcome To Copacabana do autor Ednei Silvestre (2) Se eu Fechar os Olhos Agora do autor Edinei Silvestre (3) Memórias da Plantação da autora Grada Kilomba (4) O Corpo Dela e Outras Farras da autora Carmen Maria Machado (5) Noites em Caracas da autora Karina Borgo (6) Uma Noite Markovitch da autora Aylet Gundar Goshen (7) Também os Brancos Sabem Dançar, do autor Kalaf Epalanga (8) Fique Comigo da autora Ayobani Adebayad, (9) Talvez Ester da autora Katja Petrowskaja (10) Redemoinho em Dia Quente da autora Jarid Arraes (11) No Armário do Vaticano do autor Frédéric Martel (12) Ideias para Adiar o Fim do Mundo do autor Ailton Krenac (13) A Terra Inabitável do autor David Walace Wels (14) Os Dias da Crise do autor Jerônimo Teixeira (15) Oráculo da Noite do autor Sidarta Ribeiro e ainda (16) A Mãe da Sua Mãe da autora Maria José Silveira. Comprei todos os 16 livros porque Livronautas não poderia deixar passar em brancas nuvens esta crise literária, econômica e política.

 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2020
Todos os direitos reservados.