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Seleta de Prosa

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Seleta de Prosa

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Manuel Bandeira  

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Coletânea

Traduzido por: Sem Tradutor

Páginas: 592

Ano de edição: 1997

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Bom
Jackeline Nagao
06/09/2020 às 20:57
Rio Branco - AC
Segundo Cida Almeida em Overblog (http://www.overmundo.com.br/overblog/manuel-bandeira-todo-prosa):
Cada crônica é uma aula de Brasil, porque o circunstancial em Bandeira é valioso. E Bandeira atualiza o Brasil para além do século em que viveu e produziu a sua obra. Arqueólogo da nossa alma mergulhou no fundo do poço dos nossos primórdios para resgatar das sombras das verdes matas a nossa produção artística.

Jackeline Nagao
06/09/2020 às 17:02
Rio Branco - AC
Além de grande poeta, Manuel Bandeira foi também um exímio prosador e conhecedor da língua portuguesa. Esta seleta, organizada por Júlio Castañon Guimarães, reúne os livros Crônicas da província do Brasil; Flauta de papel; Andorinha, andorinha; Itinerário de Pasárgada; Estudos literários e Crítica de arte e ainda o verbete "A versificação em língua portuguesa", da Enciclopédia Delta Larousse, além de cartas a Lúcio Cardoso, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector.
Jackeline Nagao
06/09/2020 às 17:02
Rio Branco - AC
O Quintal Que é um quintal? Abro o meu velho Morais, o meu velho e querido Antônio de Morais Silva, e leio esta definição: “É na Cidade, ou Vila, um pedaço de terra murada com árvore de fruta, etc. ” Não era bem isso o que chamávamos quintal na casa de meu avô materno no Recife, a casa da rua da União que celebrei num poema. [Evocação do Recife] Então vamos ver o que diz o Aulete no verbete “quintal”. Reza assim: “Porção de terreno junto da casa de habitação, com horta e jardim.” Está melhor, quer dizer, aplica-se melhor ao que chamávamos quintal na casa de meu avô. Apuremos a etimologia, recorramos ao dicionário etimológico de Antenor Nascentes. Eis o que ele averba: “Quintal – 1 (horto): Do lat. quintanale (Leite de Vasconcelos, Lições de Filologia 306) cfr. quinta. A. Coelho tirou de quinta o sufixo al”. No verbete “quinta” registra Nascentes que em Portugal, na Beira, ainda hoje a palavra significa “pátio”. O quintal da casa da rua da União era isto: uma pequena porção de terreno em quadrado para onde dava a varanda da sala de jantar e em quina com esta a varanda com acesso para a copa, a cozinha, o banheiro, o quarto de guardados; do lado oposto à segunda varanda, bem mais estreita que a primeira, havia o paredão alto da casa da vizinha, onde moravam umas tias de José Lins do Rego; ao fundo ficava o galinheiro, e ao lado deste, o cambrone. Aqui no Sul muita gente não sabe o que é cambrone e ainda menos por que motivo no Recife daquele tempo (começo do século) se dava à privada o nome do general de Napoleão, que intimado pelo inimigo a render-se na Batalha de Waterloo, respondeu energicamente com uma só palavra de cinco letras. Pois fiquem sabendo que o motivo foi este: o engenheiro francês que projetou e dirigiu no Recife o serviço de instalação dos esgotos chamava-se Cambrone, mas não sei se era parente do herói de Waterloo. Os cambrones do Recife eram o que havia de mais primitivo, mas por que o menino de sete anos, futuro poeta a seu malgrado, gostava de estar ali? Só muitos anos depois, homem feito, descobriu a razão, ao ler o poema de um menino genial que se chamava Jean-Nicolas-Artur Rimbaud, poema intitulado “Les poètes de sept ans”, escrito aos dezessete anos. Dizia ele, a meio do poema: L’eté Surtout, vaincu, stupide, il était entêté À se renfermer dans la fraicheur des latrines. Havia, muito, essa “fraicheur” (*) no cambrone daquele quintal da rua da União… Taboola – Body O quintal, porém, tinha outros atrativos. Primeiro, num canto da varanda da sala de jantar, a grande talha de barro, refrescadora da água, que se bebia pelo “coco”, vasilha feita do endocárpio do fruto do mesmo nome e com bonito cabo torneado; havia, no centro do quintal o coradouro, “quaradouro”, como dizíamos, magnífico quaradouro, com as suas folhas de zinco ondulado; em torno, ao longo das varandas e do paredão da casa das Lins, ao fundo, dissimulando o galinheiro, também magnífico (um senhor galinheiro!), e o cambrone, os canteiros de flores singelas, hortaliças, arbustos, medicinais de preferência (sabugueiro, malva, etc.). Minha avó estimulava as minhas veleidades de hortelão: “Plante estes talinhos de bredo, que quando eles derem folha eu lhe compro”. E eu plantava e ela comprava o bredo, e com esse dinheiro comprava eu flecha e papel de seda para fabricar os meus papagaios… Essa atividade não me fez agricultor nem negociante, mas as horas que eu passava no quintal eram de treino para a poesia. Na rua, com os meninos da minha idade eu brincava ginasticamente, turbulentamente; no quintal sonhava na intimidade de mim mesmo. Aquele quintal era o meu pequeno mundo dentro do grande mundo da vida.

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Jackeline Nagao
06/09/2020 às 17:02
Rio Branco - AC
Recebi de herança.

 

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