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Meu Pequeno País

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Meu Pequeno País

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Autor: Gael Faye  

Editora: Radio Londres

Assunto: Romance

Traduzido por: Maria de Fátima Oliva do Couto

Páginas: 189

Ano de edição: 2018

Peso: 250 g

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Excelente
Marcio Mafra
20/09/2020 às 11:55
Brasília - DF
Baseada na vida do autor Gael Faye, “Meu Pequeno País” narra a história dramática e emocionante da existência de Gabriel – Gaby - desde 10 anos de idade, até quando adulto. Morador de num bairro nobre da cidade de Bujumbura, onde residiam muitos estrangeiros, Gaby passa a maior parte do tempo com os amigos, moleques barulhentos e felizes, que se ocupam de roubo de frutas dos vizinhos. Marcante era o “esconderijo” da turma, que se achava uma gang, Ainda na infância Gaby sofre um trauma pela separação de seus pais fato que o atormenta pela vida inteira. Outra sequela emocional na vida de Gaby foi o início da guerra civil, seguida do genocídio ruandês. Os tormentos e as inquietações de um garoto o obrigam a amadurecer mais cedo que o previsto. Estas questões sobre infância, guerra, exílio e os conflitos de grupos étnicos são narrados com muita elegância, leveza e realismo faz deste livro um romance brilhante, cativante e – sem nenhuma dúvida – o melhor e mais gostoso de ler entre todos os autores que participaram da Flip 2019, em Paraty, Rio de Janeiro. Excelente. Maravilhoso. Excepcional.

Marcio Mafra
20/09/2020 às 11:55
Brasília - DF
A história de um garoto de pai francês e mãe ruandesa que é forçado a deixar seu país por causa do início da guerra civil, e do genocídio em Ruanda misturando a biografia do escritor com a do personagem.
Marcio Mafra
20/09/2020 às 11:55
Brasília - DF
Nunca vou saber as verdadeiras razões da separação de meus pais. No entanto, deve ter existido algum desentendimento desde o começo. Um defeito de fábrica no encontro, um asterisco que ninguém viu ou quis ver. Naquele tempo, meus pais eram jovens e bonitos. Os corações estufados de esperança, como o sol das independências. Vocês precisavam ver! No dia do casamento, Papai não cabia em si de alegria por ter posto uma aliança no dedo dela. Claro, meu pai, com seus olhos verdes mordazes, seu cabelo castanho-claro de mechas louras e sua estatura de viking, tinha certo encanto. Mas não chegava às canelas de Mamãe. E as canelas de Mamãe eram especiais! Eram o início de pernas compridas e esbeltas que as mulheres observavam com olhares assassinos e os homens espiavam de olhos entreabertos, através das persianas entrecerradas. Papai era um jovem francês da região de Jura,um homem que tinha chegado à África por acaso, para cumprir o serviço civil. Vinha de um lugarejo nas montanhas cujas paisagens se pareciam, de forma impressionante, com as do Burundi, mas, em sua região, não havia mulheres com o porte de Mamãe, juncos de água doce com silhueta delgada, belezas esbeltas como arranha-céus de pele negra da cor de ébano e os olhos grandes das vacas Ankole. Vocês precisavam ouvir! No dia do casamento, uma rumba indolente escapava dos violões 14 pouco afinados, e a felicidade assobiava um chá-chá-chá sob o céu salpicado de estrelas. Estava tudo certo! Só faltava… amar. Viver. Rir. Existir. Sempre em frente, sem parar, até o fim da pista e mesmo um pouco mais além. Pena que meus pais eram adolescentes perdidos, a quem exigiam subitamente que se tornassem adultos responsáveis. Ainda estavam saindo da puberdade, de seus hormônios, das noites em claro, mas já precisavam se livrar dos cadáveres, das garrafas entornadas, esvaziar os cinzeiros cheios de bitucas, guardar os vinis de rock psicodélico nas capas, dobrar as calças boca de sino e as túnicas indianas. A sineta havia tocado. Chegaram os filhos, os impostos, as obrigações e as preocupações — cedo demais, rápido demais — e, com eles, a insegurança e os bandidos de estrada, os ditadores e os golpes de Estado, os programas de ajuste estrutural, a renúncia aos ideais, a dificuldade de se levantar pela manhã, o sol que a cada dia se espraia um pouco mais sobre a cama. A realidade se impôs. Dura. Feroz. A doçura dos começos se transformara em cadência tirânica como o tique-taque implacável do pêndulo de um relógio. A evolução natural das coisas agiu como um bumerangue, e meus pais o receberam bem no meio da cara, compreendendo que haviam confundido desejo com amor e inventado qualidades um para o outro. Não tinham compartilhado seus sonhos; apenas suas ilusões. Cada um teve seu próprio sonho, só seu, egoísta, e um não estava pronto para satisfazer as expectativas do outro. Mas um tempo antes disso tudo, antes do que estou prestes a contar e de todo o resto, havia felicidade, a vida sem necessidade de explicação. A existência era tal como era, tal como sempre tinha sido e como eu queria que continuasse a ser. Um sono sereno, tranquilo, sem mosquitos zumbindo no ouvido, sem essa chuva de perguntas que 15 havia começado a tamborilar no telhado da minha cabeça. No tempo da felicidade, se me perguntavam “Tudo bem?”, eu sempre respondia “Tudo”. Sem piscar. A felicidade dispensa reflexão. Só depois comecei a considerar a pergunta. A avaliar os prós e os contras. A me esquivar, a dar respostas vagas, assim como tinha começado a fazer o país todo. As pessoas só respondiam: “Vai indo”. Porque a vida já não podia mais ir bem de verdade depois de tudo o que nos havia acontecido.

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Marcio Mafra
20/09/2020 às 11:55
Brasília - DF
Em Agosto de 2019, a mídia especializada fez muita propaganda dos autores que participaram da FLIP 2019 que aconteceu em Paraty, Rio de Janeiro, entre 10 e 14 de julho. Era o PÓS FLIP, um movimento patrocinado pelos editores que precisavam vender os livros dos autores “convidados da Flip”. A conhecida Festa Literária Internacional de Paraty que acontece desde 2003, no ano de 2019 não teve o sucesso financeiro desejado. Era o primeiro ano do governo Bolsonaro, quando o Ministério da Cultura foi extinto logo no início do governo e recriado pouco depois, tendo sido cortadas grande parte das verbas destinadas no orçamento da União para a cultura. Também a economia em 2019 ainda capengava da recessão porque o país tinha recuperado apenas 30% do que fora perdido na crise política de 2016/2018. A crise fora provocada pelo impeachment da Presidente Dilma Roosevelt e do governo tampão Michel Temer. Então o PÓS EVENTO fez as editoras publicarem ou republicar: (1) Welcome To Copacabana do autor Ednei Silvestre (2) Se eu Fechar os Olhos Agora do autor Edinei Silvestre (3) Memórias da Plantação da autora Grada Kilomba (4) O Corpo Dela e Outras Farras da autora Carmen Maria Machado (5) Noites em Caracas da autora Karina Borgo (6) Uma Noite Markovitch da autora Aylet Gundar Goshen (7) Também os Brancos Sabem Dançar, do autor Kalaf Epalanga (8) Fique Comigo da autora Ayobani Adebayad, (9) Talvez Ester da autora Katja Petrowskaja (10) Redemoinho em Dia Quente da autora Jarid Arraes (11) No Armário do Vaticano do autor Frédéric Martel (12) Ideias para Adiar o Fim do Mundo do autor Ailton Krenac (13) A Terra Inabitável do autor David Walace Wels (14) Os Dias da Crise do autor Jerônimo Teixeira (15) Oráculo da Noite do autor Sidarta Ribeiro, (16) A Mãe da Sua Mãe da autora Maria José Silveira, e ainda de Gael Faye Meu Pequeno País.. Comprei todos os 17 livros porque Livronautas não poderia deixar passar em brancas nuvens esta crise literária, econômica e política.

 

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