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Nem Só de Caviar Vive o Homem

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Nem Só de Caviar Vive o Homem

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: J M Simmel  

Editora: Círculo do Livro

Assunto: Romance

Traduzido por: Paulo Buarque de Macedo

Páginas: 526

Ano de edição:

Peso: 605 g

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Bom
Marcio Mafra
07/09/2005 às 23:08
Brasília - DF

Nem Só de Caviar Vive o Homem é uma história de espionagem bastante diferente dos demais romances de serviço secreto. Muitos jornalistas afirmam que Thomas Lieven, é um personagem com história verídica. Pode ser.

Thomas é um banqueiro tranqüilo, que por ser jovem é convocado para prestar serviços de espionagem durante a Segunda Guerra Mundial. Passa por perigosas situações, das quais só consegue se livrar devido ao seu apego à boa vida e boa mesa. Curiosas receitas de finas comidas permeiam o romance. Com um menu que inclui mexilhões a marinière e pernil de cordeiro assado com batadas dauphine, o personagem central, Thomas Lieven consegue destravar uma língua de qualquer convidado governamental ou os espiões e as espiãs, como em 25 de novembro de 1940.

"Mexilhões marinière:

Depois de limpar os mexilhões, coloque-os numa panela onde já deve estar fervendo uma mistura (em partes iguais) de água e vinho branco. Cubra a panela e deixe ferver, sacudindo de vez em quando, até que os mariscos se abram. Despeje numa passadeira e retire os mariscos das cascas, guardando o caldo.

Enquanto cozinham os mariscos, prepare um Roux branco, farinha e manteiga (use trezentos gramas de farinha de trigo e duzentos e cinqüenta gramas de manteiga pura que se levam ao fogo durante cinco minutos, mexendo constantemente com uma espátula) e junte ao caldo da cozedura dos mariscos. Faça ferver um pouco. Acrescente mais um pouco de vinho branco e tempere com sal, pimenta-do-reino e sumo de limão. Junte uma gema para ligar. Misture, agora, os mariscos e a salsa picada bem fina ao molho já preparado. Conserve quente sem deixar ferver - até o momento de servir.

Pernil de cordeiro assado com vagens e batatas dauphine:

Use um pernil de cordeiro bem macio. Faça um corte junto ao osso e enfie um dente de alho entre o osso e a carne. Coloque o pernil num panelão com bastante manteiga, virando-o sempre até que comece a assar. Salgue e salpique pimenta-do-reino. Leve agora o pernil ao forno, para acabar de assar, tendo o cuidado de molhá-lo repetidamente com o próprio suco e a manteiga que já estava no panelão. Prepare as vagens, que devem ser bem frescas, limpando-as e cozinhando-as em pouca água. Depois de escorrer bem, aqueça em manteiga derretida. Salgue na hora de servir. Esprema as batatas cozidas e amasse juntando ovos (clara e gema) e temperando com um pouco de noz-moscada. Faça pequenas bolas e frite-as em gordura muito quente até que cresçam e tomem cor.

Frutas ao caramelo:

Leve ao fogo uma panela com açúcar. Mexa constantemente até que a calda (caramelo) tome uma cor amarelo-clara. Adicione água e deixe cozinhar. Descasque peras e maçãs, corte em quatro e junte ao caramelo acrescentando algumas uvas. Cubra a panela e deixe algum tempo. Depois de fria, sirva a compota em taças com um pouco de creme batido e amêndoas picadas."

Nem só de caviar vive o home, além de bom livro, ainda é saboroso.




Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Tomas Lieven, espião "gourmet" que prepara frangos com páprica e salsão à moda de Genebra, enquanto engana os serviços secretos de nove países, inclusive a Gestapo, durante a Segunda Guerra.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em 1942, seis mil soldados alemães cercaram o velho bairro do porto de Marselha e obrigaram os habitantes, - cerca de vinte mil pessoas - a abandonar suas casas dentro de duas horas. Cada pessoa poderia levar no máximo, trinta quilos de bagagem. Mais de três mil delinqüentes foram presos. Todo o velho bairro foi minado e destruído. Assim desapareceu o quartel-general do vício, um dos mais pitorescos da Europa e a mais perigosa sementeira de organizações criminosas. No decorrer dos anos de 1940 a 1941, entretanto, o velho bairro do porto viveu o período de maior movimento. Nas sombrias casas por trás do edifício da prefeitura habitavam homens oriundos de todos os países: refugiados, traficantes do mercado negro, assassinos procurados pela polícia, falsários, conspiradores políticos e uma legião de mulheres de vida airada. A polícia era impotente e evitava, o mais possível, aparecer no Vieux Quartier. Os potentados desse sombrio reino eram os chefes de várias quadrilhas que se combatiam mutuamente numa guerra sem quartel. Entre os membros dessas gangs havia franceses, norte-africanos, armênios e um grande número de corsos e espanhóis. Os chefes das quadrilhas eram personagens conhecidas. Não andavam pelas estreitas e coloridas vielas sem os seus capangas. Em fila indiana, dois ou três cavalheiros iam à direita do patrão, dois ou três iam à esquerda, todos com a mão no bolso e dedo no gatilho. O Estado possuía um Serviço de Controle Econômico cujos funcionários tinham a missão de combater o mercado negro que estava muito florescente. A maioria dos funcionários designados para tal serviço revelou-se venal. Outros eram simplesmente covardes. Chegada a noite, não ousavam aparecer na rua. A estas horas é que começavam a rodar de uma casa para outra os grandes queijos e que os quartos de boi, provenientes de matadouros clandestinos, eram entregues aos restaurantes. O soberbo pernil de cordeiro, a manteiga, as vagens e os demais ingredientes usados por Thomas para preparar uma excelente refeição na cozinha de Chantal Tessier, na noite de 23 de novembro, provinham todos dessas fontes obscuras. Chantal morava na Rue Chevalier à La Rose. Das janelas podiam-se ver as águas sujas do velho porto quadrangular e as inúmeras luzes dos cafés próximos. Thomas ficara surpreendido com o tamanho e a decoração do apartamento de Chantal. Várias coisas o chocaram. Os lustres modernos e caros, por exemplo, nada tinham a ver com os móveis antigos autênticos. Era evidente que Chantal crescera, como uma flor selvagem, sem receber, sequer, um verniz de cultura. Nessa noite, trajava um vestido elegante, quase sem decote, de seda da China bordada, e muito colante. Mas, de forma muito singular, havia completado a indumentária com um cinto de couro, muito largo. Mostrava, curiosamente, predileção pelo couro cru e até pelo seu cheiro. Delicadamente, Thomas não fazia qualquer crítica às extravagâncias de Chantal em matéria de gosto. Ele próprio vestia pela primeira vez em sua vida uma roupa que não tinha sido feita sob medida, mas que, apesar disso, caía-lhe muito bem. Logo que chegaram ao apartamento, Chantal abrira um grande armário cheio de roupas masculinas: camisas, roupas íntimas, gravatas e temos. - Pegue o que quiser, Pierre era do seu tamanho. Muito contra a vontade, Thomas escolheu o que precisava. Na realidade, precisava de tudo, pois não tinha nada. Quando procurou saber mais alguma coisa sobre Pierre, Chantal respondeu secamente:. "Não faça perguntas. Era meu amigo. Estamos separados há um ano. Ele não voltará mais. . . " Estranhamente, Chantal estava agindo muito friamente para com ele, no decorrer das últimas horas. Parecia que os momentos de loucura, perto da fronteira, nunca tinham existido. Mesmo agora, durante o jantar, ela estava em silêncio, perdida em divagações sombrias. Enquanto comia os mexilhões, olhava para Thomas. Quando chegaram ao pernil de carneiro, a sua narina esquerda começou a tremer. Quando chegaram à sobremesa, um relógio de parede soou as dez horas. Subitamente, Chantal cobriu o rosto com as mãos e balbuciou palavras ininteligíveis. - Que há, querida? - perguntou Thomas, que estava ultimando o preparo das frutas ao caramelo. Ela ergueu o rosto. A narina tremia, mas o resto do belo rosto era uma máscara imóvel. - Dez horas - disse ela. Sua voz estava clara e calma. - E então? - Eles estão perto da porta. Logo que eu ligar o fonógrafo para tocar J' ai deux amours, eles subirão. - Quem vai subir? - perguntou ele. - O coronel Siméon e os seus homens. - O coronel Siméon? - repetiu ele, quase sem voz. - O Deuxiême Bureau, sim. - A narina fremia. Eu o vendi. Sou a rainha da sujeira. Houve um silêncio. - Quer mais um pêssego? - disse afinal Thomas. - Jean! Não fique assim! Não posso suportar. Grite. . Quebre-me a cara. Faça alguma coisa! - Chantal - disse ele invadido pelo desânimo e pela fadiga -, por que você fez isso? - Estou nas mãos da polícia. É uma história suja dos tempos de Pierre. Fraude, etc. Apareceu o coronel Siméon, que disse: "Se você nos entregar o Leblanc poderemos conseguir o arquivamento do processo". Que faria você em meu lugar, Jean? Eu mal o conhecia então. "E assim é a vida", pensou Thomas. "A mesma história se repete e continua. Um caça o outro. Um trai o outro. Um mata o outro, para não ser ele mesmo morto." - Que quer Siméon comigo? - perguntou em voz suave. - Ele recebeu ordens. .. Parece que você o tapeou com uma história de listas. É verdade? - Sim, é verdade. Ela levantou-se, aproximou-se dele e colocou a mão no seu ombro. - Eu queria chorar, mas não tenho lágrimas. Bata em mim. Mate-me. Faça alguma coisa, Jean. Não me olhe assim. Imóvel, Thomas pensava. - Diga novamente o nome do disco que deve tocar - perguntou ele em voz baixa. - J' ai deux amours - respondeu ela. Subitamente, um estranho sorriso iluminou a palidez do rosto de Thomas. Levantou-se. Chantal fez um movimento de recuo. Mas ele não a tocou. Foi à sala contígua, onde estava o fonógrafo. Vendo a etiqueta do disco, sorriu novamente. Ligou o aparelho e colocou a agulha sobre o disco. A música soou e a voz de Josephine Baker cantou J'ai deux amours. Ouviram-se passos, do lado de fora. Cada vez mais próximos. Muito próximos. Chantal estava em pé diante de Thomas. Uma respiração rouca saía-lhe dos lábios abertos. O seu peito arfava sob a fina seda da túnica chinesa. - Fuja! - disse ela com voz sibilante. - Ainda há tempo. . . a janela do quarto de dormir dá para um telhado plano. .. . Thomas fez que não, com a cabeça, e sorriu. Ela teve um acesso de raiva. - Imbecil. Eles vão fazê-lo virar escumadeira! Daqui a dez minutos será um cadáver boiando no velho porto. - Teria sido amável de sua parte se tivesse pensado nisso um pouco antes, meu coração. Com um gesto frenético ela levantou o braço como se fosse bater. - Pare com o deboche - gritou ela, sem fôlego. Logo agora. - Ela começou a soluçar. Bateram na porta. - Abra - disse ele com aspereza. Chantal apertava o punho contra a boca, mas não se mexeu.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Djalma Luciano Pimentel Borges me presenteou com o Nem Só de Caviar Vive o Homem, num dos meus aniversários, lá pelos anos 65 ou 67. O livro original desapareceu, como é da praxe. O atual foi adquirido num sebo, quando estive repondo minhas lembranças. Nos idos de 60, J M Simmel era um autor da moda. Deste romance tenho boas recordações, pois à época aprendi bastante sobre comidas e bebidas sofisticadas, o que era muito útil quando eu e Djalma Borges precisávamos (ou queríamos)  impressionar garotas e namoradas de então.


 

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