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Casa Grande & Senzala

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Casa Grande & Senzala

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Gilberto Freyre  

Editora: Nova Aguilar

Assunto: Sociologia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 1382

Ano de edição: 2000

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Excelente
Marcio Mafra
14/07/2005 às 16:08
Brasília - DF


Casa Grande & Senzala, livro de 541 páginas, contidas no volume 2, da coleção Intérpretes do Brasil.



Vai da pagina 121 até a pagina 629.



Gilberto Freyre é - de longe - a mais citada, mais importante e maior autoridade do país, quando se cogita a origem do brasileiro. O escritor foi buscar nos documentos dos senhores de engenho e na vida pessoal de seus próprios antepassados a história do homem brasileiro e formulou a tese que das plantações de cana em Pernambuco nasceram, e se consolidaram, as relações íntimas e o cruzamento das três raças: amarela (índios), negra (escravos africanos) e branca (os invasores portugueses e outros europeus). "O que houve no Brasil foi a degradação das raças atrasadas pelo domínio da adiantada. Os índios foram submetidos ao cativeiro e à prostituição. A relação entre brancos e mulheres negras foi de vencedores e vencidos." diz o Mestre Freyre. O livro é um mega estudo, que além de histórico, geográfico, geológico, é também social, psicológico, antropológico, cultural, etinológico e econômico. Ao final - haja leitura - o Casa Grande & Senzala resulta num outro viés ao conceito de cultura, como sendo o conjunto dos costumes, hábitos e crenças religiosas, folclóricas e econômicas da nação. Este trecho do Casa Grande, evidencia bem este viés: ..."Quando, em 1532, se organizou econômica e civilmente a sociedade brasileira, já foi depois de um século inteiro de contato dos portugueses com os trópicos; de demonstrada na Índia e na África sua aptidão para a vida tropical. Formou-se na América tropical uma sociedade agrária na estrutura, escravocrata na técnica de exploração econômica, híbrida de índio, e mais tarde de negro, na composição." Outro: ..."A casa-grande do engenho que o colonizador começou, ainda no século XVI, a levantar no Brasil - grossas paredes de taipa ou de pedra e cal, telhados caídos num máximo de proteção contra o sol forte e as chuvas tropicais - não foi nenhuma reprodução das casas portuguesas, mas expressão nova do imperialismo português. A casa-grande é brasileirinha da silva." E esta pérola: ..."O ambiente em que começou a vida brasileira foi de grande intoxicação sexual. O europeu saltava em terra escorregando em índia nua. Os próprios padres da Companhia precisavam descer com cuidado, se não atolavam o pé em carne." As relações sociais, culturais e de poder, assim como os negócios e a religiosidade iam formando a base da sociedade brasileira, cuja economia estava apoiada no açucar e no escravo, sendo verdadeiro afirmar que foi o negro quem irrigou, por muitos anos - com o seu suor - toda o arcabouço econômico do Brasil. Os colonizadores não se preocupavam com a pureza da raça, nem com qualquer outra coisa necessária ou útil ao desenvolvimento do Brasil. Mesmo assim o país foi se formando e acontecendo a sua unidade, debalde a grande extensão territorial, com profundas diferenças regionais, para o que muito contribuiu a uniformidade da língua e da religião imposta pelos jesuítas.. Tais constatações, se fazem à cada etapa da leitura do Casa Grande... "Os portugueses, além de menos ardentes na ortodoxia que os espanhóis e menos estritos que os ingleses nos preconceitos de cor e de moral cristã, vieram defrontar-se na América com uma das populações mais rasteiras do continente... Uma cultura verde e incipiente, sem o desenvolvimento nem a resistência das grandes semi-civilizações americanas, como os Incas e os Astecas." ..."Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós. Ela nos deu, ainda, a rede em que se embalaria o sono ou a volúpia do brasileiro."... Fantástico.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Casa Grande & Senzala, publicado no início da década de 30, estuda as características da formação - antropológica, etnológica, econômica, cultural e social - do brasileiro, sob o ponto de vista de sua colonização. Analisa, também, as riquíssimas e complexas contribuições da raça amarela (senão vermelha) e negra à genética brasileira.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A figura boa da ama negra que, nos tempos patriarcais, criava o menino lhe dando de mamar, que lhe embalava a rede ou o berço, que lhe ensinava as- primeiras palavras' de português errado, o primeiro "padre-nosso", a primeira "ave-maria", o primeiro "vôte!" ou "oxent~", que lhe dava na boca o primeiro pirão com carne e "molho de ferrugem", ela própria amolegando a comida - outros vultos de negros se sucediam na vida do brasileiro de outrora. O vulto do muleque companheiro de brinquedo. O do negro velho, contador de histórias. O da mucama. O da cozinheira. Toda uma série de contatos diversos importando em novas relações com o meio, com a vida, com o mundo. Importando em experiências que se realizavam através do escravo ou à sua sombra de guia, de cúmplice, de curandeiro ou de corruptor. Ao muleque companheiro de brinquedo do menino branco e seu leva-pancadas, já nos referimos em capítulo anterior. Suas funções foram as de prestadio ,mané-gostoso, manejado à vontade por nhonhô; apertado, maltratado e judiado como se fosse todo de pó de serra por dentro; de pó de serra e de pano como os judas de sábado de -aleluia, e não de carne como os meninos brancos, "Logo que a criança deixa o berço", escreve Koster, que soube observar com tanta argúcia a vida de família nas casas-grandes coloniais, "dão-lhe um escravo do seu sexo e de sua idade, pouco mais ou menos, por camarada, ou antes, para seus brinquedos. Crescem juntos e o escravo torna-se um objeto sobre o qual o menino exerce os seus caprichos; empregam-no em tudo e além disso incorre sempre em censura e em punição. Enfim, a ridícula ternura dos pais anima o insuportável despotismo dos filhos." "Não havia casa onde não existisse um ou mais muleques, um ou mais curumins, vítimas consagradas aos caprichos de nhonhô", escreve José Veríssimo, recordando os tempos da escravidão. "Eram-lhe o cavalo, o leva-pancadas, os amigos, os companheiros, os criados." Lembra-nos Júlio Belo o melhor brinquedo dos meninos de engenho de outrora: montar a cavalo em carneiros; mas na falta de carneiros, muleques. Nas brincadeiras, muitas vezes brutas, dos filhos de senhores de engenho, os muleques serviam para tudo: eram bois de carro, eram cavalos de montaria, eram bestas de almanjarras, eram burros de liteiras e de cargas as mais pesadas. Mas principalmente cavalos de carro. Ainda hoje, nas zonas rurais menos invadidas pelo automóvel, onde velhos cabriolés de engenho rodam pelo massapê mole, entre os canaviais, os meninos brancos brincam de carro de cavalo "com muleques e até molequinhas filhas das amas", servindo de parelhas. Um barbante serve de rédea; um galho de goiabeira, de chicote. É de supor a repercussão psíquica sobre os adultos de semelhante tipo de relações infantis - favorável ao desenvolvimento de tendências sadistas e masoquistas. Sobre a criança do sexo feminino, principalmente, se aguçava o sadismo, pela maior fixidez e monotonia nas relações da senhora com a escrava, sendo até para admirar, escrevia o mesmo Koster em princípios do século XIX, "encontrarem-se tantas senhoras excelentes, quando tão pouco seria de surpreender que o caráter de muitas se ressentisse da desgraçada direção que lhes dão na infância". Sem contatos com o mundo que modificassem nelas, como nos rapazes, o senso pervertido de relações humanas; sem outra perspectiva que a da senzala vista da varanda da casa-grande, conservavam muitas vezes as senhoras o mesmo domínio malvado sobre as mucamas que na infância sobre as negrinhas suas companheiras de brinquedo. "Nascem, criam-se e continuam a viver rodeadas de escravos, sem experimentarem a mais ligeira contrariedade, concebendo exaltada opinião de sua superioridade sobre as outras criaturas humanas, e nunca imaginando que possam estar em erro", escreveu Koster das senhoras brasileiras. Além disso, aborrecendo-se facilmente. Falando alto. Gritando de vez em quando. Fletcher e Kidder, que estiveram no Brasil no meado do século XIX, atribuem a fala estridente e desagradável das brasileiras ao hábito de falarem sempre aos gritos, dando ordens às escravas. O mesmo teriam observado no sul dos Estados Unidos, que sofreu influências sociais e econômicas tão semelhantes às que atuaram sobre o Brasil durante o regime de trabalho escravo. Ainda hoje, por contágio das gerações escravocratas, as moças das Carolinas. É que nas senzalas da Bahia de 1835 havia talvez maior número de gente sabendo ler e escrever do que no alto das casas-grandes. Mal saíra a nação, vencidos apenas dez anos de vida independente, do estado de ignorância profunda em que a conservara a Coroa no século XVIII e princípios do XIX, quando "os mais simples conhecimentos elementares eram tão pouco espalhados que, não raro, ricos fazendeiros do interior encarregavam seus amigos do litoral de lhes arranjar um genro que em vez de quaisquer outros dotes apenas soubesse ler e escrever". Os historiadores do século XIX limitaram a procedência dos escravos importados para o Brasil ao estoque banto. É ponto que se deve retificar. De outras áreas de cultura africana transportaram-se para o Brasil escravos em grosso número. Muitos de áreas superiores à banto. A formação brasileira foi beneficiada pelo melhor da cultura negra da África, absorvendo elementos por assim dizer de elite que faltaram na mesma proporção ao Sul dos Estados Unidos. "I have often thought that slaves of the United States are descended not from the noblest African stock",(eu tenho pensado frequentemente que os escravos dos EUA não descendem da raça africana mais nobre) observou Fletcher confrontando os escravos das senzalas brasileiras com os dos stados Unidos; Sá Oliveira errou ao escrever que na estratificação social da Bahia "veio colocar-se nas ínfimas camadas uma onda volumosa de africanos quase todos colhidos nas tribos mais selvagens dos caíres e atirados aos traficantes de escravos do litoral da África". Exagero. Porque não foi menor o número de sudaneses; estes, segundo as pesquisas de Nina Rodrigues, é que predominaram na formação baiana: pelo menos a certa altura. Foram Spix e Martius - pensa Nina Rodrigues - que criaram o erro de supor-se exclusivamente banto a colonização africana do Brasil. E ao ilustre professor, então catedrático da Faculdade de Medicina da Bahia, deve-se o primeiro esforço critico no sentido da discriminação dos estoques africanos de colonização do Brasil. "Nos seus prestimosos estudos sobre o nosso país", diz Nina Rodrigues nas'páginas do seu trabalho O problema da raça negra na América portuguesa. "reduzem estes autores [Spix e Martius] as procedências do tráfico para o Brasil às colônias portuguesas da África Meridional e às ilhas do Golfo de Guiné. Para eles, dos Congos, Cabindas e Angolas na costa ocidental da África, dos Macuas e Angicos, na oriental, provieram todos os africanos brasileiros. Também se referem às procedências de Cacheo e Bissau para os negros de Pernambuco, Maranhão e Pará; naturalmente mais conhecidos pela história da Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, com que foi feito o contrato da introdução desses negros. Mas nem destes, nem dos' procedentes das ilhas de Fernando Pó, Príncipe, São Tomé e Ano Bom, a que também aludem, convenientemente se ocuparam. Mal se concebe como os negros sudaneses tivessem escapado à sagaz observação de Spix e Martius que a propósito da Bahia se ocuparam do tráfico africano e estiveram nesta província precisamente ao tempo em que do-minavam aqui os sudaneses." Infelizmente as pesquisas em torno da imigração de escravos negros para o Brasil tornaram-se extremamente difíceis, em torno de certos pontos de interesse histórico e antropológico, depois que o eminente baiano, conselheiro Rui Barbosa, ministro do Governo Provisório após a proclamação da República de 89, por motivos ostensivamente de ordem econômica - a circular emanou do ministro da Fazenda sob o n. 29 e com data de 13 de maio de 1891- mandou queimar os arquivos da escravidão. Talvez esclarecimentos genealógicos preciosos se tenham perdido nesses autos-de-fé republicanos. Mesmo sem o valioso recurso das estatísticas aduaneiras de entrada de escravos pôde Nina Rodrigues destruir o mito do exclusivismo banto na colonização africana no Brasil. Basta, na verdade, atentar-se na política portuguesa de distribuição de negros nas colônias para duvidar-se de semelhante exclusivismo. Ora, essa política foi não permitir que se juntasse numa capitania número preponderante da mesma nação ou estoque. "Do que facilmente podem resultar perniciosas conseqüências", como em carta a Luís Pinto de Sousa dizia em fins do século XVIII Dom Fernando José de Portugal.43 Se na Bahia predominaram sudaneses e no Rio e em Pernambuco negros austrais do grupo banto, não significa que outros estoques não fornecessem seu contingente aos três grandes centros de imigração e distribuição de escravos. A carta escrita por Henrique Dias aos holandeses em 1647 traz a respeito preciosos dados: "De quatro nações se compõe esse regimento: Minas, Ardas, Angolas, e Creoulos: estes são tão malévolos que não temem nem devem; os Minas tão bravos que aonde não podem chegar com o braço, chegam com o nome; os Ardas tão fogosos que tudo querem cortar de um só golpe; e os Angolas tão robustos que nenhum trabalho os cança." Ora, os "Ardas" ou "Ardras" eram gege ou daomeanos do antigo reino da Ardia; os Minas, nagô; os Angola, apenas, banto. Já Barléus, lembra Nina Rodrigues que se referia aos ardrenses. E refere-se. Mas para considerá-los péssimos escravos agrários. Eles, os calabrenses, os de Guiné, Cabo, Serra Leoa. Bons para o trabalho no campo eram os Congo, os sombrenses e os Angola. Os da Guiné, Cabo, Serra Leoa, maus escravos, porém, bonitos de corpo. Principalmente as mulheres. Daí serem as preferidas para os serviços domésticos; para o trabalho das casas-grandes.45 Fácil é de imaginar, completando a insinuação do cronista, que também para os doces concubinatos ou simples amores de senhor com escrava em que se regalou o patriarcalismo colonial


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Judith e Marco Aurélio Cerqueira, me presentearam no aniversário de 2004, com a coleção de história, Intérpretes do Brasil, em três bem nutridos volumes.


 

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