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Ordem e Progresso

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Ordem e Progresso

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Autor: Gilberto Freyre  

Editora: Nova Aguilar

Assunto: Sociologia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 1863

Ano de edição: 2002

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Bom
Marcio Mafra
15/07/2005 às 16:31
Brasília - DF

Ordem e Progresso, livro com 898 paginas, contido no volume 3,


da página 9 até 845, da coleção Intérpretes do Brasil.


Não há como comentar um livro do Mestre Gilberto Freyre, em poucas palavras. Ordem e Progresso é o mais longo e mais denso livro do autor. Foi publicado em 1959, quando o mesmo já se encontrava às vésperas dos 60 anos. Nessa época o Mestre estava em plena maturidade, iniciando o seu ultimo terço de vida. Nada que pudesse comprometer ou empanar o brilho de sua genialidade. Nesse tempo ele acumulava uma vivência riquíssima, uma cultura invejável e uma erudição generosa. Assim, Ordem e Progresso só poderia resultar numa teoria muito elaborada, prolixa, e extensa. Tanto é fato que só a introdução ocupa mais de cem páginas do livro. Trata-se de uma análise alongada para compreender a época em que a sociedade patriarcal brasileira inicia a sua desintegração. O livro é arrastado, longo, comprido, com um numero incrível de anotações, observações e pés de páginas, enfim, prolixo. Muito prolixo. Claro que tem passagens memoráveis, trechos muito gostosos, cheios de lógica, muita graça e beleza. Mas, no geral é ruím de ler, não flui e cansa. Pior é que é muito repetitivo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Narrativa da análise - longa - sociológica e antropológica da história da sociedade patriarcal do Brasil, notadamente a sua desintegração.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Desapareceu de repente o respeito, senão do público brasileiro, em geral, de suas elites, em particular, por certos produtos estrangeiros. Compreende-se assim que o fenômeno financeiro representado pela oscilação do câmbio fosse aproveitado largamente por anunciantes de artigos europeus para recomendá-los à atenção do público não só pelas suas virtudes como pelas "grandes reduções de preços" com que alguns passaram a ser vendidos; que os chapéus-de-sol, os guarda-chuvas, os chapéus de feltro ingleses e franceses continuassem a ser anunciados como os artigos desse gênero dignos dos cavaleiros e das damas elegantes; que os armazéns finos nem sequer anunciassem produtos nacionais ao lado das águas minerais européias que vendiam - Vichy, Vals, Harzer, Germânia; dos presuntos ingleses e alemães; do chocolate francês; dos vinhos franceses e do Porto.Quando muito, repontavam às vezes desses anúncios charutos Lucas Frey & S., de Cachoeira, ao lado dos "superiores de Havana". No Rio de Janeiro, no fim do século XIX, o Café Glacier gabava -se, em seus anúncios, de ser o "único estabelecimento no Rio de Janeiro que faz gelados iguais aos da Europa", jatando-se também da sua "variedade de cervejas estrangeiras, vinhos especiais e refrescos estrangeiros"; e das suas pieces montées denominadas à Dantas - "nunca vistas neste país, para banquetes da alta aristocracia, diplomatas e jantares de grande luxo". Francisco Gurgel do Amaral requintava-se em importar diretamente da Europa "as novidades das estações": "o chie Parisiense e o Pashionable inglês", dizia ele no seu anúncio. No Recife, já republicano, uma loja de artigos finos para homens, situada na velha Rua do Bom Jesus, chamava-se The Gentleman; outra se denominava La Ville de Paris; ainda outra o Louvre. E esses nomes significativamente ingleses e franceses de lojas, armarinhos, armazéns, não se limitavam a cidades então cosmopolitas como o Rio de Janeiro e o Recife; ou como Manaus e Belém: encontravam-se em cidades menores e mais castiçamente brasileiras como Fortaleza. Pelos anúncios de leilões elegantes do mil e novecentos brasileiro, vê-se ter sido grande o destaque que se deu então a móveis e a objetos de arte importados da Europa, com prejuízo dos próprios jacarandás e vinháticos da terra. São anúncios sintomaticamente salpicados de palavras francesas e inglesas: fayence, bibelot, christofle, vieux-chêne, maple, abat-jour. A batalha entre o valor nacional e o estrangeiro foi intensa nos anúncios de jornais da época evocada no ensaio que se segue: a cama de lona não se deixou vencer de um golpe pela simples, de ferro, mas opôs à intrusa considerável resistência; houve hotéis e restaurantes que, aos anúncios de hotéis e restaurantes em francês, informando à gente fina do fim do Império ou do começo da República serem seus menus preparados por chefs franceses, responderam, como se respondessem a desafios, que suas cozinhas eram dirigidas por cozinheiros ou cozinheiras baianas; houve modistas, como dona Leonor Porto - célebre pelas suas atividades abolicionistas que nunca se intitulavam madames mas sempre e brasileiramente donas: dona Leonor e até dona Sinhá; e não foi pequeno o combate entre os remédios da terra e os europeus para o tratamento de doenças que, embora chamadas "secretas", figuraram com notável destaque nos jornais da época. Jornais que primaram pelos seus anúncios caracteristicamente brasileiros quanto ao ambiente entre patriarcal e urbano a que se aplicaram os produtos ou as técnicas anunciadas: o mosquiteiro, por exemplo, que teve então a sua época de esplendor; o candeeiro de querosene. principalmente o chamado belga; o Rina-na; o espartilho, as luvas; o tamanco ou o sapato ou a "batina atamarlcada", como os que se encontravam à venda na loja de Manuel Pereira Pinto, à Rua Andrade Neves. em frente ao Mercado Público, na cidade de Pelotas. no Rio Grande do Sul, conforme anúncio no jornal Independência do Brasil, de 7 de setembro de 1888; o chapéu-de-sol ou o guarda-chuva; a bengala; a obturação de dente a ouro; o xarope contra a tosse; o cavalo; o carro especial para transporte de piano; a máquina de costura movida à mão; o gramofone e o fonógrafo que entraram em concorrência com a opereta, acançoneta, o vaudeville dos teatros antes de outro concorrente - o cinema - fazer sentir o poder da sua sedução sobre o brasileiro, com suas fitas de Max Linder e Borelli, de Asta Nielsen e Psilander. O próprio circo sofreu com o aparecimento do cinema no Brasil dos primeiros anos do século XX, embora sem ter se deixado matar de um só golpe. De qualquer modo, datam dos últimos anos do século XIX os grandes anúncios de; circos, como o da Companhia Norte-Americana de Mistérios e Novidades Edna e Wood, que se exibiu no Rio de Janeiro em 1895: num Brasil já um tanto República sob alguns aspectos e ainda muito Império sob outros. No Brasil já quase República, que foi para muito brasileiro o dos últimos anos do reinado de Pedro II, vividos por alguns sob a impressão do novo e do messiânico prometido pela propaganda republicana, os anúncios de jornais parecem acusar especial receptividade dos homens a produtos destinados a lhes tingir cabelos e bigodes. Eram produtos que os preparavam para urna época mais empenhada em consagrar os valores do Futuro que os do Passado. Daí a voga de tinturas como a Chinesa, da qual dizia em 1887 um anunciante em jornal do Rio de Janeiro - O Relâmpago - ainda do tempo do Império mas já muito voltado, pelo seu próprio caráter de jornal de propaganda comercial, para o futuro republicano do Brasil: "Não confundir esta tintura com outras de diversas procedências que por aí se vendem que as mais das vezes não tingem o cabelo mas queimam a pele." O Império morria a olhos vistos sob as barbas branquíssimas - branquíssimas e jamais maculadas por tintura ou pomada - de Pedro II, com as quais contrastava então o preto ou o castanho das barbas de jovens líderes republicanos sequiosos de poder: Quintino, Benjamim, Silva Jardim, Sampaio Ferraz, Campos Sales; e dos bigodes de Lopes Trovão, Coelho Lisboa, Martins Júnior, Raul Pompéia, Pinheiro Machado. Era natural que dos homens mais voltados para o Futuro vários cuidassem de opor o negro ou o louro das suas barbas ou dos seus bigodes ao branco das barbas compridas e arcaicas de um Pedro II decadente e gasto: espécie de Ano Velho das caricaturas de Ano Velho a ser vencido por Ano Novo. Disse com efeito a malícia da época que alguns aos homens públicos, já de alguma idade, que aderiram à República de 89, fizeram-no esmerando-se em tingir barbas ou bigodes, para não parecerem velhos ao lado de republicanos quase criançolas. Sucederia, entretanto, a esse furor de ''place aux jeulles", reais ou aparentes, curiosa reação a favor dos velhos de barbas ou bigodes embranquecidos pelo pouco tempo: pelo tempo republicano e pelo muito tempo monárquico vividos por eles. Sob o favor dessa reação, é que a República buscaria, depois de alguns desencantos com os republicanos puros, os serviços dos Rodrigues Alves, dos Afonso Pena, dos Rosa e Silva, dos Gonçalves Ferreira, dos Visconde do Cabo Frio, dos barão do Rio Branco, dos Joaquim Nabuco: nenhum dos quais - a não ser, talvez, o conselheiro Rosa e Silva - homem que tivesse recorrido, aos primeiros sinais de velhice, às tinturas ou às pomadas para enegrecer o cabelo, os bigodes ou a barba. Sedução a que dizem-nos alguns maliciosos da época ter sucumbido o general Pinheiro Machado. E sedução que talvez o tenha atingido através de algum anúncio em versos como os que a 7 de setembro de 1887 publicava em Pelotas o patriótico Independência do Brasil. Um desses anúncios, em versos italianos de Leopardi, o da Loja da Estrada do Sul, propriedade de italiano. Outros em português, como o do armazém O Sobrado das Duas Estrelas: O Sobrado das Duas Estrelas Ao pendão auriverde se abraça As fazendas de luxo e bom gosto Venderá quase todas de graça. Enquanto um terceiro tipo de anúncio no mesmo jornal se apresenta com características de novela: novela histórica, mas novela. É aquele em que vêm exaltadas as virtudes de um brasileiríssimo xarope, o Peitoral de Cambará, contra a tísica pulmonar: O laborioso criador Sr. Delfim Felix de Vasconcelos, parente do Sr. Majos João Manoel Barbosa, juiz de paz da Buena, 3° districto de Pelotas (Rio Grande do Sul) teve em 1877 sua esposa e a filha mais velha gravemente afectadas da terrível tísica pulmonar. A moléstia, zombando do mais escrupuloso tratamento médico, ceifou a existência da inditosa esposa do Sr. Vasconcellos, e mostrava-se ainda disposta a exercer sua fatal influência sobre a pobre moça. O desespero do pae extremoso inspirou ao Sr. Vasconcellos uma resolução acertada, levando-o a fazer experiência do Peitoral de Cambará. Os effeitos do primeiro frasco fizeram sustar o curso da moléstia fatal e a continuação do medicamento operou a mais brilhante cura! Este facto deu-se em 1879, e hoje, passados sete annos, completamente outra, robusta e forte, casada e com filhos, não apresenta o menor indicio da enfermidade que ameaçou arrebata-la daquella epocha. E confiando ao próprio Sr. Delfim Félix de Vasconcelos "a narração d' este caso importante, fielmente desenvolvida na seguinte carta" ao farmacêutico, acrescentava o anunciante do remédio messiânico o texto da confissão do Sr. Vasconcelos: - Illm. Sr. José Álvares de Souza Soares - Upacarahy, 2 de Maio de 1879. - Fazem hoje justamente dois annos que faleceu minha mulher, de tysica pulmonar. Poucos mezes depois deste fallecimento, minha filha mais velha, de nome Ronoria, declarou-se com a mesma enfermidade da mãe. Recorri a todos os meios aconselhados por médicos e curiosos para a cura de minha filha, assim como já tinha feito para a fallecida mãe, e o resultado era sempre o mesmo: a moléstia caminhava a olhos vistos para o seu termo fatal! O meu parente e amigo o Sr. major João Manoel Barbosa, actualmente subdelegado de policia do 3.° districto de Pelotas, e muitas pessoas d'ahi, sabem perfeitamente d'este caso desesperador. Desanimado e sem saber mais o que fazer, fui instado por um amigo a dar à minha doente o seu elogiado Peitoral de Cambará, e confesso que nunca vi remédio tão maravilhoso, pois foi o que salvou minha filha de uma morte certa! Já se pó de dizer que a tysica pulmonar não é uma moléstia incurável, que zomba de todos os meios aconselhados em medicina. Dou-lhe os meus parabéns por esta grande descoberta, e Deus o recompense pelos benefícios que d'ella teem resultado à humanidade sofredora. - De V. S. etc. Delfim F. de Vasconcellos. Os remédios messiânicos foram parte importante do complexo messiânico da época evocada nas páginas que se seguem, ao verificar-se intensa preponderância da preocupação com o Futuro sobre a devoção ao Passado. Outro aspecto significativo do mesmo complexo foi o pedagógico. Mas significativos foram também aspectos menos ilustres do mesmo complexo. Assim como houve um messianismo, tanto pré-republicano como pós-republicano, em tomo da Engenharia, outro em volta da Medicina, ainda outro, voltado para a catequese dos Indígenas, para os Sertões, para a Amazônia, houve o que se especializou em esperar o máximo da Pedagogia. Meneses e Macaúbas, na Monarquia, José Veríssimo, seguido por um então ainda jovem A. Carneiro Leão e por vários paulistas, na República, foram figuras apostólicas dessa quase religião vinda do Império para a República. João Alfredo destacou-se, dentre os últimos políticos do Império, como aquele que mais se extremou em cuidar da propagação do ensino. Ainda no Império, Rui Barbosa salientou-se no Parlamento, por seu interesse pelas questões pedagógicas e de reorganização do ensino nacional. Nos primeiros dias da República, Benjamim Constant, afastado da pasta da Guerra, teria no Ministério da Instrução Pública compensação moralmente elevada para o ato que o desprestigiara como militar dentro da sua dupla personalidade de militar-bacharel: o bacharel seria glorificado como o líder republicano mais capaz de reformar o ensino no país. Curiosa foi a rivalidade, nos últimos anos do reinado de Pedro lI, entre o Brasil, Império, e a Argentina, República, em tomo do progresso de cada uma das duas nações em assuntos pedagógicos. Verdadeira guerra de estatísticas caracterizou essa rivalidade. A rivalidade, desde o fim do Império, do Brasil com a Argentina, manifestou-se por vezes pitorescamente sob outros aspectos, relacionados sobretudo com evidências de progresso material, suscetível de ser medido ou pesado por meios estatísticos. Rivalidade em tomo de largura e extensão de avenidas novas; de capacidade de docas; de quilometragem e aparelhamento de estradas de ferro; de instalações sanitárias e de hotéis; de eficiência ou modernidade nos transportes urbanos; de freqüência aos teatros e às corridas de cavalo; de eficiência e modernidade nos armamentos de terra e mar. Aliás, da preocupação com a eficiência e a modernidade de técnicas de produção industrial e de transporte, de guerra, de marinha, de urbanização, de higiene - nunca será exagero destacar-se que foi uma das marcas mais salientes da época evocada nas páginas que se seguem. Época de transição e de modernização. Não nos esqueçamos de que foi essa a época da substituição, nas áreas urbanas do Brasil, da latrina de barril, do penico, do "tigre", pelo watercloset à inglesa, completado nas residências mais elegantes pelo bidet: francesismo adotado inteligentemente pelo Brasil, a despeito da oposição em que, contra esse higiênico complemento do water-closet, se conservariam os anglo-saxões. Época de outras substituições significativas. De inovações e renovações igualmente significativas na vida e na civilização nacionais. Época de desaparecimento quase completo das escarradeiras como ostentações de sala de visitas. Época do começo do telefone como meio de comunicação intraurbana; e do telégrafo, como meio de comunicação intranacional e internacional Época de vários brasileirismos dos quais nem sempre se aperceberam os brasileiros: do guarda-pó, brasileirismo notado pelos estrangeiros; da tela de arame nos guarda-comidas, em lugar da porta de madeira: outro brasileirismo notado por estrangeiros. Época da "Valorização do Café": o maior dos brasileirismos a atrair a atenção dos estrangeiros para o Brasil Foi ainda no período de vida nacional considerado no ensaio que se segue que se verificou o começo do brasileiríssimo jogo do bicho; que se acentuou a voga das seções pagas nos jornais - brasileirismo vindo dos primeiros decênios do Império - que ocorreu o começo dos intervíews de jornal e o das reportagens; e que se manifestaram com intensidade: a voga das Academias de Letras e de Medicina; a voga do iodofórnnio; a voga do porta-retrato; a voga do aparador; a voga da quartinheira; a voga da pistola Mauser e do revólver Colt; a voga do passe-partout; a voga do almanaque; a voga da charada; a voga da Emulsão de Scott, da Água de Plórida, do Sabonete Reuter, do Perfume Houbigant, do Elixir de Nogueira; a voga do clister; a voga do vinho-de-quina; a voga do chuveiro; a voga da Loteria Federal; a voga dos clubes elegantes ou esportivos; a voga (depois de consolidada a República) dos Tiros de Guerra; a voga do nome de Rothschild como símbolo de suprema riqueza; a vogado espelho biseauté; o começo da voga das Kodaks; a voga das coleções de selos; a voga da cadeira balanço; a voga da espreguiçadeira de lona; a voga do cachet (especialmente de quinino, contra o impaludismo); a voga da injeção (especialmente contra a sífilis, tendo esse extremo culminado nas perigosas injeções de 606 e 914); a voga do biscuit; a voga do candeeiro belga; a voga do electro-plate; a voga do mosquiteiro; a voga do cortinado de renda; a voga da étagere; a voga do bibelot; a voga da estatueta de bronze; a voga da mesa de jantar de elástico, com três ou mais tábuas de reserva; a voga da écharpe entre as senhoras de prol; a voga do xale entre as mulheres do povo; a substituição do carmim pelo rouge na pintura do rosto das senhoras; a substituição do carneiro pelo velocípede como brinquedo móvel de menino; a voga da exibição dos retratos dos donos da casa, em molduras douradas, na parte mais saliente das salas de visitas; a voga, até os primeiros anos do século XX; da palmatória nas escolas primárias; a voga, até os primeiros anos, do mesmo século, da chibata, na Marinha de Guerra; a voga da retreta, em volta ao coreto, onde se instalava a banda de música, nas praças públicas e pátios de igreja; a voga do doce acompanhado de vinho do Porto para receber o brasileiro de prol e mesmo o médio visitas de cerimônia; a voga do chapéu vitoriano chamado capota entre as senhoras de idade, principalmente entre as viúvas cujo trajo devia ser sempre preto ou escuro; a voga do lustre de cristal nas principais salas burguesas; a voga do crochê; a substituição, nos meios elegantes, do presepe árvore de Natal e do Menino Deus pelo Papai Noel; a voga da caricatura política alongada em caricatura social, com a consagração das figuras de "Zé Povo", de "o Brasil" representado por um Índio, de a República, representada por mulher de barrete frigio; da Bahia, por uma baiana gorda, de turbante e fazedora de angu; de Pemambuco, representado por um leão; do Rio Grande do Sul, por um gaúcho de poncho e botas;e, ainda de figuras como a do "capoeira", a do "pelintra", a do "parlamentar" sob a forma de um papagaio palrador e comedor de milho, a do "inglês" (capitalista), sempre de fato de xadrez e suíças; a voga do dentista americano; a voga do cromo-calendário de Boas- Festas; a voga da oratória didática da qual não escaparam os melhores mestres de Direito, de Medicina, de Engenharia (Benjamirn Constant, José Bonifácio o Moço, Martins Júnior, Francisco de Castro, o ainda jovem Aníbal Freire, o ainda jovem Octavio Mangabeira); o começo do uso da gilete; o começo de substituição das ceroulas compridas pelas curtas; o começo da substituição da caligrafia pela datilografia; a voga das rotisseries, dos garden-parties, das marches-aux-flambeaux, dos five-o' -clock tea, das regatas, dos meetings; a voga dos cartazes de anúncios nas paredes dos edifícios e nos bondes; o começo de substituição das botinas pelos sapatos; a moda do jaquetão; a moda do chapéu-coco, do chapéu-do-chile, do chapéu de palha; a generalização do uso da capa de borracha e das galochas; o começo do uso da caneta-tinteiro; a generalização do uso do binóculo de teatro; a voga da fotografia ou do retrato fotográfico colorido; a devoção a Nossa Senhora de Lourdes; o começo do culto de Santa Teresinha; o começo das escolas de aprendizes e artífices; o começo das Obras contra as secas; o desenvolvimento do foot-ball como jogo quase nacional, com caraterísticos dionisíacos mais acentuados que os apolíneos, do jogo inglês; o aparecimento do volley-ball e do basket-ball; o declínio da capoeiragem; o esplendor do Apostolado positivista; o esplendor do Museu Goeldi; o início das atividades de pesquisa médica dos Institutos de Manguinhos e Butantã; a substituição do entrudo pelo carnaval com serpentina, confete, bal masqué; a voga do Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, como o jornal, por excelência, nacional do Brasil, lido por brasileiros de élite do País inteiro; a voga, como jornal, por excelência, do Norte do Império, do Diário de Pernambuco; a voga das edições Garnier; o começo da voga do chopp; o começo da voga da demi-tasse; a voga do charuto como substituto do rapé elegante; o começo da imigração japonesa; a Fundação da Associação Brasileira de Imprensa; o começo das vendas a prestações, principalmente a domicílio; o começo dos sanatórios; o começo da voga de clubes elegantes no Rio de Janeiro e nas Províncias; a voga, em alguns meios, da homeopatia; o costume ou rito, severamente observado nos meios burgueses e aristocráticos, do luto, fechado, durante seis meses, e outros seis meses aliviado, por pai, mãe, esposo, vestindo as senhoras, vestido preto, crepe, chorão de viúva, os cavalheiros, ostentando plastron de viúvo, os próprios lenços, pretos, chapéu e sapatos pretos, papel de correspondência tarjado; o domínio da Maçonaria como poder político, em seguida à chamada Questão dos Bispos; a voga do chalé; o declínio (até o desaparecimento) do hábito do rapé como hábito caraterístico de homens de idade provecta; a voga das francesas como demi-mondaines e amantes de homens elegantes; a voga dos brindes de aniversário e casamento; a voga do "canudinho de palha" para refresco; a voga do sifão; a voga do chá Lipton; o começo da substituição do suspensório pelo cinto; a voga da ventarola; a voga do ventilador; a voga das terrasses de hotel e café; a voga dos velódromos (corridas de bicicleta); maior interesse pelo turf; a voga do aparelho de porcelana mandado vir da França com brasão ou iniciais de família; a voga do pic-nic; a voga do engraxate italiano de rua; a voga da banda alemã de rua; a voga de brigas de galo; a substituição da camisola de dormir pelo pijama; a substituição da caixa de música pelo gramofone; o começo da substituição do colarinho duro pelo mole (substituição com a qual acabaria transigindo o próprio Santos Dumont); a substituição dos punhos postiços duros pelos pegados à camisa; a voga do moinho de vento, para fornecer água às casas suburbanas; a voga do lasquiné seguida pelo do poker; a voga do livro de sortes de São João; a voga da caçoleta de berloque nas correntes de relógio, com retrato de pessoa particularmente querida; a voga da bolacha, ao café, entre a gente média; a voga do soneto; a voga de cartomantes como, no Rio de Janeiro, Mme. Zizina; a voga da trova; a voga do escalda-pés; a voga de expressões significativas como «dernier cri' e «up-to-date"; a voga da Procissão dos Passos, como a grande procissão do ano em quase todo o país; a voga do São João, como a grande festa popular tanto nas cidades como nas fazendas; a voga da missa campal; a voga do ataque histérico entre as senhoras burguesas, à saída de enterros e em face de outras situações dramáticas; a voga das paradas militares; a voga do dobrado; a voga da valsa; da polca e da quadrilha; a voga do bandolirn, para senhoras, e da flauta, para cavalheiros; a voga da serenata com violão; a voga da Western Telegraph; a voga, como pratos nacionais, da feijoada, da goiabada com queijo, do peru com fiambre, do lombo de porco, do bife (abrasileirado) com batatas; a voga da cafua nas escolas e colégios; o começo da substituição do sapato importado (principalmente dos Estados Unidos) pelo fabricado ou no país ou especialmente para o pé brasileiro; o começo da voga das joalherias Krause em vários pontos do país; o começo da exploração sistemática de camaubeira.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Judith e Marco Aurélio Cerqueira, me presentearam no aniversário de 2004, com a coleção de história, Intérpretes do Brasil, em três bem nutridos volumes.


 

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