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Formação do Brasil Contemporâneo - 2º Exemplar

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Formação do Brasil Contemporâneo - 2º Exemplar

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Autor: Caio Prado Junior  

Editora: Nova Aguilar

Assunto: Sociologia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 1866

Ano de edição: 2002

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Excelente
Marcio Mafra
16/07/2005 às 17:47
Brasília - DF

Livro Formação do Brasil Contemporâneo, 385 páginas, contidas no volume 3, da coleção Intérpretes do Brasil.


Vai da página 1104 à 1496


Para começar a entender a história do Brasil, desde a colônia até a era Lula, é indispensável a leitura do Formação do Brasil Contemporâneo. O principal livro do Caio Prado Junior proporciona um ponto de vista muito interessante no sentido da colonização e apresenta uma maneira de se estudar e entender os fatos históricos, políticos e sociais do país, embora, as vezes, pareça transmitir uma visão "pessimista" da história e do destino do brasileiro. A leitura flui, mas deve-se estar prevenido que não não se trata de um livro "romanceado", portanto em algumas etapas, pode parecer cansativo ou repetitivo, inclusive pelo bom numero de notas - para consultas - ao final de cada capítulo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma visão histórica do Brasil, tratanto de suas raças e colonização, passando pela economia, industria, comercio e serviços além de análises da vida social e politica

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Numa palavra, e para sintetizar o panorama da sociedade colonial: incoerência e instabilidade no povoamento; pobreza e miséria na economia; dissolução nos costumes; inércia e corrupção nos dirigentes leigos e eclesiásticos. Neste verdadeiro descalabro, ruína em que chafurdava a colônia e sua variegada população, que encontramos da vitalidade, capacidade renovadora? Naquela tremenda desordem colonial esboçava-se urna reação. Fruto das mais variadas situações, como todas as reações que vêm das profundezas, e levada por outros tantos impulsos diversos, ela se esboçava e ia precisando os seus contornos. Um denominador comum somará e identificará todas aquelas situações: o mal-estar generalizado que de alto a baixo perpassa a sociedade colonial e lhe tira estabilidade e equilíbrio. Mal-estar econômico e social de raízes profundas, que no caso particular de cada indivíduo ou grupo se explicará por esta ou aquela circunstância especial e imediata, mas que em última análise derivará de qualquer coisa de mais fundamental e geral: o próprio sistema da colonização brasileira. A colonização produziu seus frutos quando reuniu neste território imenso e quase deserto, em 300 anos de esforços, uma população catada em três continentes, e com ela formou, bem ou mal, um conjunto social que se caracteriza e identifica por traços próprios e inconfundíveis; quando devassou a terra, explorou o território e nele instalou aquela população; quando finalmente remeteu por cima do oceano, para os mercados da Europa, caixas de açúcar, rolos de tabaco, fardos de algodão, barras de ouro e pedras preciosas. Até aí construiu; mas ao mesmo tempo, e a par desta construção, foi acumulado um passivo considerável. Não por "erros", seja a nossa apreciação moral ou de capacidade, mas por contingências que não poderia ter obviado, e que só com o tempo se revelariam vícios profundos e orgânicos: a incorporação apressada de raças e culturas tão diferentes entre si, o trabalho servil, a dispersão do povoamento, tantos outros elementos que caracterizam a colonização e a constituem. Tudo isto que fora em seu tempo inevitável, necessário e por isso mesmo "acertado", revelava agora bem claramente, três séculos depois do início da colonização, seu lado negativo. E é isto que vemos no momento em que abordamos aqui a nossa história: daí o aspecto de decomposição em que se apresenta então a nossos olhos o sistema colonial brasileiro. Mas por baixo palpita uma outra vida, uma transformação que se esboça. Não é evidentemente possível, em terreno desta natureza, essencialmente dinâmico e não estático, fixar rigorosamente "momentos"; trata-se de uma situação que ainda não existe, que não tem conteúdo próprio, mas é apenas um estado latente que se revela por alguns precursores, sintomáticos mas isolados. Tais fatos vêm de longe, desde o início da colonização, se quiserem. E em rigor, poderíamos ir apanhá-los em qualquer altura de nossa evolução histórica. Divertimento a que se têm dedicado muitos historiadores. Mas limitando nossa atenção àquele período que cavalga os dois séculos que precedem imediatamente o atual, e que aliás escolhi por isso mesmo, vamos encontrá-los mais salientes, mais caros e precisos. A decomposição do sistema colonial está então mais adiantada, os germes de auto destruição que contém, desde o início 3Ilbora, se definem então com mais nitidez. E ao mesmo tempo, as forças renovadoras que laboram em seu seio, e que são aqueles mesmos germes vistos de um outro ângulo, começam a apontar com mais freqüência e já podem ser apanhados mais facilmente. Elas então já indicam uma situação de conjunto nova, diferente e contrária ao sistema colonial ainda dominante; e que, embora ainda não exista, começa a se desenhar. É muito difícil, se não impossível, caracterizá-la, nesta fase anterior à sua eclosão; ela não passa de reação informe, incoerente e desconexa que se revela apenas por sintomas, circunstancia exteriores diversas, às vezes até contraditórias entre si. O historiador, ao ocupar-se dela, enfrenta o risco de tratar o assunto anacronicamente, isto é, conhecedor que é da fase posterior, em que ocorre seu desenlace, em que ela se define, projetar esta fase no passado. Q que não raro tem sido feito. Como o processo que ora nos ocupa vai dar na separação da colônia de sua metrópole, na Independência, são as manifestações neste sentido que se procuram. Simplismo lamentável, que não somente restringe consideravelmente o objeto da pesquisa, como a desvia de seu verdadeiro sentido. O final da cena, ou antes, o primeiro grande acontecimento de conjunto que vamos presenciar será, não há dúvida, a independência política da colônia. Mas este final não existe ainda antes dela, nem está "imanente" no passado; ele será apenas a resultante de um concurso ocasional de forças que estão longe, todas elas, de tenderem, cada qual só por si, para aquele fim. Algumas, possivelmente; todas certamente não. Mas como concorrem sem exceção, e têm cada qual seu papel, nenhuma pode ser desprezada. Além disto, e sobretudo, são elas e não o seu desenlace que nos devem inicialmente ocupar. É esta a única atitude legítima de uma pesquisa objetiva, e que está muito longe do que freqüentemente se faz, e que consiste, depois de conhecida a evolução de uma situação histórica, em admiti-la a priori como contida e imanente nela desde seus primeiros passos. Partir da presunção, no caso vertente, que o fim fatal e necessário de uma colônia é tornar-se politicamente independente da metrópole, e que isto já estava incluído em nosso destino quando Cabral avistou os primeiros paus que boiavam no mar e faziam suspeitar da proximidade de terras; e procurar, daí por diante, todos os sinais remotos de uma "independência" futura, necessária e fatal. Está claro que a previsão da separação da metrópole, a idéia de que o Brasil seria um dia nação independente, já aparece muito antes da realização do fato, e está no pensamento de alguns indivíduos, que, ou por intuição, ou no mais das vezes por simples mimetismo e ilação de exemplos semelhantes ocorridos noutras partes, esperavam, e mesmo às vezes trabalhavam pela sua realização. E isto também precisa ser levado em consideração. Mas não esgota o assunto, e sobretudo não o explica, porque não será esta ou aquela idéia, de um ou de muitos indivíduos - aliás, no caso vertente, de poucos relativamente - que será a "causa" da Independência. Muitas outras idéias, até opostas àquela, e esposadas por um número incomparavelmente maior de pessoas, interpretavam as coisas de outra forma. Idéias são matéria que nunca falta: há-as sempre de todos os naipes e para todos os gostos. E se paramos nelas sem procurar diretamente os fatos que as inspiram, ficamos na impossibilidade de explicar por que, de um momento para outro, uma destas idéias e não outra qualquer ganha impulso, se alastra, vence e acaba$e realizando. As idéias, por si, não fazem nada; e para o historiador não devem servir senão de sinais, expressões ou sintomas aparentes de uma realidade que vai por baixo, nos fatos concretos, e que as provoca. Abstraiamos portanto aqui, e inicialmente, do que se passaria num futuro que por ora ignoramos, e indaguemos apenas daquelas "forças" a que me referi acima, e que são o motor de uma transformação, cujo sentido e direção não podemos ainda conhecer, mas que trabalham contra o sistema colonial. Note-se que emprego esta expressão, "sistema colonial", não no sentido restrito do regime de colônia, de subordinação política e administrativa à metrópole; mas no de conjunto de caracteres e elementos econômicos, sociais e políticos que constituem a obra aqui realizada pela colonização, e que deram no Brasil. O fio condutor que na complexidade dos fatos com que temos de lidar nos conduzirá ao mais íntimo da sociedade colonial para nele descobrirmos a origem de tais "forças", que se manifestam exteriormente sobretudo por aquele mal-estar generalizado que assinalei acima e que atinge toda a colônia, é a mesma infra-estrutura econômica descrita nos primeiros capítulos deste trabalho. Achamo-nos aí, vamos repeti-lo, em presença de uma economia constituída na base da exploração, e exploração precipitada e extensiva dos recursos naturais de um território virgem, para abastecer o comércio internacional de alguns gêneros tropicais e metais preciosos de grande valor comercial. É esta, em última análise, a substância da nossa economia colonial, a própria explicação e definição da obra colonizadora que Portugal aqui realizou. Tal base, com o desenvolvimento da população, com o concurso de outros fatores vários, se torna, através do tempo, restrita e incapaz de sustentar a estrutura que sobre ela se formara. Suficiente de início, e ainda por muito tempo para prover aos fins precípuos da colonização - a ocupação do território, o aproveitamento dele com um relativo equilíbrio econômico e social; para promover, enfim, o progresso das forças produtivas -, aquela base acabou por se tornar insuficiente para manter a estrutura social que sobre ela se constituíra e desenvolvera; e a isto se chegou sem que fosse preciso a intervenção de fatores estranhos, mas pelo simples desdobramento natural do processo da colonização. Tal insuficiência se verifica pelos resultados a que levara aquele desdobramento, e que acumulados, tornavam iminente, na fase que nos ocupa, uma desagregação completa, se não a paralisação da vida do país. O mais saliente dele, o mais sensível, e o estado a que se reduzira o acervo material do território, com que se contara até então para manter aquela vida. Tinham-se já quase esterilizado as fontes mais acessíveis de riqueza: terras esgotadas por processos bárbaros de cultura ou por devastações impensadas, depósitos minerais exauridos... Note-se que não vai aqui recriminação alguma aos métodos de exploração empregados, e que eram, dadas as circunstâncias, os únicos possíveis. Eles são fruto do sistema geral que se adotou na colonização do território brasileiro, fazem parte integrante dele; e tal sistema não poderia ter sido evitado e substituído por outro na fase preliminar da colonização. Há ainda outro resultado' fundamental que se precisa destacar, e a que levara o processo de colonização. Correlato aliás, e intimamente ligado àquele primeiro, e sempre ao mesmo sistema colonial. É a proporção considerável de populações que com o tempo vão ficando à margem da atividade produtiva normal da colonização. O círculo desta atividade se encerra quase exclusivamente com os dois termos fundamentais da organização econômica e social da colônia: senhores e escravos; os primeiros, promotores e dirigentes da colonização; os outros, seus agentes. Enquanto houve apenas senhores e escravos, e é o que se dá no início da colonização, tudo ia bem. Todos os povoadores do território brasileiro tinham seu lugar próprio na estrutura social da colônia, e podiam normalmente desenvolver suas atividades. Mas formaram-se aos poucos outras categorias, que não eram de escravos nem podiam ser de senhores. Para elas não havia lugar no sistema produtivo da colônia. Apesar disto, seus contingentes foram crescendo, crescimento que também era fatal, e resultava do mesmo sistema da colonização. Acabaram constituindo uma parte considerável da população e tendendo sempre para o aumento. O desiquilibrio era fatal. A tais feições mais salientes e fundamentais do processo evolutivo da colonização, agregam-se outras derivadas delas ou com elas intimamente relacionadas. Dispenso-me de enumerá-las aqui, porque isto seria recapitular toda a matéria deste livro; nela se encontram, embora vistas de um ângulo estático, em vez do dinâmico que ora nos interessa. O que em suma se verifica, é que o sistema de colonização adotado no Brasil, o nosso "sistema colonial", depois de ter produzido durante três séculos frutos apreciáveis que contrabalançavam o negativo da sua feição, tocara o extremo de sua evolução, pelo menos em alguns e principais de seus aspectos; e a curva que desenhara na História começava a infletir decididamente para baixo, para sua consumação. Esgotara suas possibilidades, e seria necessariamente substituído por outro. O fato aliás se tomara tão sensível e patente que não houve entre os contemporâneos esclarecidos e que nos legaram seus pensamentos, quem não o enxergasse. Lá pelos fins do século XVIII começam a aparecer e se multiplicar os "reformadores" e seus projetos. No curso deste trabalho tenho recorrido a muitos deles, não pelos planos que apresentam, o que não tem hoje interesse prático, mas pela lucidez com que muitos enxergavam a situação, fornecendo-nos por isso dados precisos para a reconstrução de um passado que era para eles um "presente" tão bem compreendido. Uns, a maioria, pregavam uma espécie de cristalização das condições vigentes, uma perpetuação, em ambiente de estufa, do sistema colonial tal como tinha sido e ainda era praticado. Os males, que enxergavam muito bem, não os atribuíam ao sistema propriamente, mas ao modo pelo qual se praticava, e sobretudo aos desvios que nele se tinham introduzido. Em suma, o que propõem é o restabelecimento dele em sua pureza original. O exemplo mais típico deste modo de pensar é o do autor anônimo do Roteiro do Maranhão, que utilizei largamente nos capítulos anteriores, e que foi sem dúvida um espírito brilhante, de larga cultura, e profundo conhecedor da colônia. Outros, de feitio menos conservador, enxergavam mais longe, já falam em reformas substanciais. O nosso tão conhecido e lembrado Luís dos Santos Vilhena, professor régio na cidade do Salvador, e autor da Recopilação de notícias soteropolitanas e brasílicas, os representa. O governo metropolitano não fica à margem destas cogitações. O final do século XVIII e primeiros anos do seguinte se caracterizam por inúmeras medidas legais e providências que revelam muito bem a compreensão em que se estava da necessidade de reformas; ou pelo menos, de que alguma coisa tinha de ser feita. Na realidade, contudo, nada se fez de verdadeiramente eficaz. As medidas mais bem-intencionadas, e aparentemente revolucionárias do sistema colonial, como por exemplo a liberdade para o estabelecimento de manufaturas de ferro em 1795, ou a reforma do regime da mineração em 1803, bem como outras semelhantes, se frustraram na prática, e isto porque, sobretudo, não se tocou nos elementos substanciais do sistema.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Judith e Marco Aurélio Cerqueira, me presentearam no aniversário de 2004, com a coleção de história, Intérpretes do Brasil, em três bem nutridos volumes.


 

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