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O Mal de Montano

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O Mal de Montano

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Enrique Vila-Matas  

Editora: Cosac Naify

Assunto: Romance

Traduzido por: Celso Mauro Paciornik

Páginas: 324

Ano de edição: 2005

Peso: 485 g

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Ruim
Marcio Mafra
15/11/2005 às 21:55
Brasília - DF

O Mal de Montano é a história de um pai e seu filho, ambos escritores, ambos acometidos da angustiante doença. O jeito - maneira ou forma - como o autor aborda a história de Rosa, Rosário, Girondo e Tongoy, o jeito como ele integra a trama o coloca bem próximo da esquisitice. Com certeza o autor bebeu a água do pós modernismo, tanto catalão, como espanhol. Mal de Montano é livro feito para impressionar crítico de arte, jornalista e intelectual enfadado. Não é à toa que recebeu os prêmios Herralde de romance 2002 e Médicis de melhor romance de 2003. Vila-Matas, neste Mal de Montano, mais parece um catalão, no melhor estilo de Miró ou Salvador Dali. Sua escrita não é fácil. É excêntrica e extravagante: ..."....andava tentando me chupar o sangue e tentava dar-me uma última dose, uma dose mortal de literatura." ..." única coisa estranha é que buscava a minha morte pela via literária..." ..."...eu não quero ser nenhum defunto de overdose literária...."


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Montano, um jovem autor, que no final do século 20, tinha acabado de publicar seu romance sobre o caso dos escritores que renunciam a escrever.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Pavese, Cesare (Santo Stefano Belbo, 1908 - Turim, 1950). Estive lendo até altas horas da noite "O oficio de viver", o diário íntimo de Pavese, estive lendo-o até o célebre final ("Os suicídios são homicídios tímidos [...] Tudo isso dá asco. Sem palavras. Um gesto. Não escreverei mais"). Quando fechei o livro, disse a mim mesmo que a literatura não pode nos ensinar métodos práticos, resultados a obter, mas apenas as posições. O resto é uma lição que não se deve extrair da literatura: é a vida que deve ensiná-la. O diário íntimo, e em definitivo a literatura, não ajudaram muito Pavese a viver, que era o que mais lhe interessava. Poderia o diário ajudá-lo em alguma coisa? Fechei o livro e me deitei. Disse a mim mesmo que o diário de Pavese pertencia a um período da cultura mundial no qual se costumava integrar a experiência existencial com a ética da história. Um período ao qual o suicídio de Pavese parece marcar um limite cronológico. E também me disse que se o diário de Pavese estava tragicamente ancorado na vida, o de Gide e o de Gombrowicz - mais próximos da minha sensibilidade - o estavam na literatura, que é um mundo autônomo, uma realidade própria, não tem nenhum contato com a realidade porque é uma realidade em si mesma, uma opinião pessoal minha com a qual seguramente Pavese não estaria de acordo. Fechei o livro e deitei pensando em todas essas coisas, admirando Pavese sem sintonizar com ele. Pouco depois adormeci e vi numa estrada com bruma Robert Walser conversando com Musil. "Fora daqui, essa é a minha meta", dizia Walser. "Não importa o quanto chore, você não conseguirá se fazer real como eu", dizia Musil. "Se não fosse real, não poderia chorar", dizia Walser. "Você não acredita, espero, que essas lágrimas sejam reais", dizia Musil. Logo se foram ou, melhor dizendo-me deram uma inveja descomunal - desapareceram. Despertei levemente e me perguntei se outros fantasmas do sonho iam se atrever a tomar a palavra. "Você está dormindo?", perguntou Rosa da sala, como um fantasma. Fingi estar, não respondi. Pouco depois, entrou em meu quarto Cesare Pavese morto. Vinha caminhando de muito longe - me disse -, vinha andando pela misteriosa estrada do Pico e trazia um casarão vazio e abandonado - o mundo mesmo? - na mão. "Os mortos não riem", ele me disse. "O riso está ligado à vida", me disse. "Virá a morte e terá os seus olhos", disse. Ficou por alguns momentos sério e calado. Trazia de fato um casarão vazio na mão e andava pela estrada do Pico. "O pentotal pra quê?", acabou me dizendo. Levantei-me da cama e o abracei. Então Pavese morto me perguntou se eu era Robert Walser. "Sou", respondi. "Esperei-lhe por toda a morte e continuarei esperando", me disse. Tinha a voz que eu havia imaginado para o personagem de Teixeira, uma voz nasal, um pouco sensual, mas ligeiramente estúpida. "Algo mais?", perguntei. Pavese morto já não falava: Pavese morto continuava ali, mas já não falava. "Sem palavras", disse. Então adormeci e não sonhei nada.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei este livro, influenciado pela crítica quando visitei a Bienal do Livro de 2005 no Rio de Janeiro.


 

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