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Shalimar, o Equilibrista

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Shalimar, o Equilibrista

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Salman Rushdie  

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: José Rubens Siqueira

Páginas: 287

Ano de edição: 2005

Peso: 615 g

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Ruim
Marcio Mafra
15/11/2005 às 09:46
Brasília - DF

Livro chato. A história é muito longa. Muito comprida. Tão comprida e longa que até mistura, ou faz referência de personagens em outros livros do autor. É uma linha de equilíbrio - tal qual o shalimar - muito tênue, que passa pela desarmonia e desamor dos seus personagens. A leitura é arrastada, embrulhada. Talvez a tradução não tenha ajudado. O autor é muito afamado. O livro nem tanto.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma história indiana, da paixão de um embaixador americano por uma dançarina hindu.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A última apresentação feita pelos bhand de Pachigam ocorreu logo no começo do ano seguinte, no início da estação turística, no dia em que começou a insurreição nacional. Abdullah Noman, com a avançada idade de setenta e seis anos, levou sua trupe de atores para um auditório em Srinagar para representar para os visitantes indianos e estrangeiros ao vale, de cuja economia dependiam. Suas grandes estrelas não estavam mais no grupo. Não havia nenhuma Boonyi para dançar Anarkali e devastar platéias com sua beleza, nem Shalimar, o equilibrista, com sua vertiginosa habilidade no arame alto sem rede, e ele próprio achava extremamente difícil desembainhar e brandir uma espada real com suas mãos idosas e aleijadas. Os mais novos de hoje em dia tinham outros interesses e precisavam ser obrigados a representar. A mal-humorada rigidez desses jovens atores era um insulto para a antiga arte. Abdullah lamentava por dentro ao assistir ao ensaio deles. Pareciam palitos de fósforo quebrados fingindo ser árvores poderosas. "Quem vai assistir a essa bobagem desajeitada?", pensava tristemente. "Vão jogar frutas e legumes na gente e vaiar até nos expulsar do palco." Ele se desculpou antecipadamente com seu amigo septuagenário e aliado de longa data, o administrador cultural e celebrado horticulturalista sikh sardar Harbans Singh, que havia mantido o bhand pather ao longo de toda a sua carreira e, aposentado, convencera seus jovens sucessores - tão impacientes com as velhas técnicas quanto os jovens de Pachigam - a dar aos velhos intérpretes uma ocasional brecha de descanso. "Depois desta noite, sardarji", Abdullah Noman disse ao velho e elegante cavalheiro, "os organizadores provavelmente vão querer abrir brechas é nas nossas cabeças." "N~o se preocupe com isso, meu velho", Harbans respondeu secamente. "Os turistas estão fugindo do vale aos bandos desde a semana passada e a maioria nem apareceu já para começar. É uma catástrofe, um naufrágio e eu temo que seja seu dever nos fornecer entretenimento enquanto nos afogamos." Firdaus não viera a Srinagar com a companhia. Abdullah sabia que ela estava infeliz, porque tinha começado a resmungar sobre maldições de serpente. Quando sua mulher começava a ver formas de cobras nas nuvens, nos galhos das árvores, na água, isso invariavelmente queria dizer que estava preocupada com as misérias da vida. Recentemente afirmara que cobras de verdade estavam entrando na aldeia, que ela as via onde quer que fosse, nas cocheiras de alimentar animais, nos pomares, nas bancas de mercadorias e nas casas. Não tinham começado a picar ainda, nem se havia anunciado nenhuma morte por cobra de gado ou de seres humanos, mas elas estavam se reunindo, Firdaus disse, como um exército invasor estavam formando batalhões e, a menos que se fizesse alguma coisa, podiam atacar a hora que quisessem e fim. Houve tempo em que Abdullah Noman rugiria sua descrença e a aldeia se reuniria, deliciada, na frente da casa para ouvir a discussão, mas Abdullah não rugia mais, mesmo sabendo que ela ia preferir que rugisse. Ele se recolhera em si mesmo, a velhice e a decepção o haviam empurrado para um lugar frio e ele não sabia mais como sair. Via a mulher olhando para ele às vezes, fixando nele um infeliz olhar questionador que perguntava: Para onde você foi, o que aconteceu com o homem que eu amava? e sentia vontade de gritar para ela: Ainda estou aqui, salve-me, estou preso dentro de mim mesmo, mas havia uma camada de gelo em torno dele que suas palavras não atravessavam. "Se a apresentação for tão mal quanto eu temo que vá", ele disse a ela, rígido, "então vou parar. Para o inferno com tudo! Não quero passar meus últimos anos humilhado' em público com apresentações que eu próprio não pagaria para assistir." Pachigam estava mais pobre do que qualquer um dos dois conseguia lembrar. Os contratos teatrais eram mais raros e mais espaçados e desde a aposentadoria do pandit Pyarelal Kaul da posição de vasta waza, chefe cozinheiro, a reputação de wazwaan de Pachigam havia decaído. Firdaus replicou ao anúncio do marido com umas poucas palavras rígidas. "Então, se vamos ficar ainda mais duros do que já estamos", disse ela, "foi bom mesmo eu nunca ter tido nenhum sonho de viver bem." Abdullah sabia que ela estava reclamando de seu comportamento, de seu fracasso em fazê-la se sentir amada, mas as palavras que abrandariam o coração dela entalaram em sua garganta e ele partiu para Srinagar dizendo, com um seco assentimento de cabeça: "É verdade. Os pobres não devem nunca sucumbir ao sonho de uma vida confortável". O ônibus que levava os atores e músicos para Srinagar não conseguiu chegar à garagem por causa das multidões que se reuniam nas ruas da cidade sob os olhos nervosos do Exército e da polícia. Os bhand tiveram de descer, carregar seus próprios adereços e ir andando. Já havia mais de quatrocentas mil pessoas enchendo as ruas. Abdullah Noman perguntou ao motorista do ônibus o que estava acontecendo. "É um enterro", ele respondeu. "Vieram chorar a morte da nossa Caxemira." A cortina subiu para mostrar a história do bom rei Zain-ul-abidin e Adbullah entrou no palco com uma espada em riste em uma mão e uma lança na outra, apertando forte as armas, ignorando as pontadas de dor que atravessavam suas mãos. Estava dando o exemplo pela última vez na vida, dando um recado para a sua trupe entediada e rebelde. Se eu conseguir me colocar acima da minha dor, talvez consiga me colocar acima da indiferença deles. Mas o auditório estava três quartos vazio e os poucos turistas sentados ali não estavam ouvindo de verdade, porque através das paredes do teatro vinham os sons abafados do começo do levante, da multidão de um milhão de pessoas marchando pelas ruas levando tochas acesas acima das cabeças e gritando "Azadi!". O sardar Harbans Singh estava sentado no meio da sétima fila toda vazia, junto com seu filho Yuvraj, um rapaz excepcionalmente bonito, cujas tendências à modernização eram alardeadas pelo rosto barbeado e ausência de turbante sikh. Com a sensação de um homem que mergulha de um alto pináculo para a morte, Abdullah Noman fixou em seu camarada o olhar mais feroz, mais brilhante e lançou-se à peça com toda a força que lhe restava. Durante a hora seguinte, no silêncio de tumba do auditório, os bhand de Pachigam contaram uma história que ninguém queria ouvir. Diversos membros da platéia se levantaram durante a apresentação. No intervalo, Yuvraj, o filho do sardar Harbans Singh - um homem de negócios que, apesar da situação política cada vez pior, estava exportando com sucesso as caixas de papier mâché, as mesas de madeira entalhada, os tapetes numdah e os xales bordados da Caxemira para o resto da Índia e também para compradores ocidentais, que apoiava os bhand "como um ato de ridículo otimismo, considerando que a região está a ponto de enlouquecer" -, alertou Abdullah Noman que as coisas podiam escapar ao controle na rua e os manifestantes poderiam até invadir o teatro. "Você está segurando uma espada e uma lança", Yuvraj Singh lembrou a Abdullah. "Se eles entrarem aqui, quer um conselho? Esqueça da peça. Jogue esses objetos de cena no chão e saia correndo." Ele próprio teria de perder o segundo ato, desculpou-se. "A situação, entende?", explicou, vagamente. "A pessoa tem os seus deveres pessoais a cumprir."


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Quando visitei a Bienal do Livro, em maio de 2005, no Rio, comprei este livro pelo nome do autor


 

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